O balão vai subindo, sem garoa nenhuma

domingo, 10 / junho / 2007 at 1:54 am 15 comentários

Manaus foi formada por nordestinos que vieram pra cá nas duas épocas da borracha [1850 e Segunda Guerra] e no boom da Zona Franca e seus zilhões de empregos.

A esmagadora maioria dos amazonenses, se pesquisar com calma, vai encontrar raízes nordestinas na família.

Até a maior festa popular do Estado [O Festival do boi-bumbá de Parintins, dos bois Garantido e Caprichoso], tem origens no bumba-meu-boi do Maranhão. Inclusive, o Festival de Parintins é realizado no período de junho.

Isso gerou um fenômeno curioso em Manaus. Como muita gente vai pra Parintins no Festival, e o festival é na última semana de junho, as festas “juninas” daqui aconteciam em julho e agosto. Praticamente todo fim de semana, um dos bairros fazia arraial, com direito a quadrilha, milho cozido, pamonha(como no Brasil todo)…e também vatapá, churrasco, dança “árabe” e cirandas com meninas mostrando a calcinha. Ahn, e toada de boi-bumbá também.

Ah, Manaus e sua capacidade de ser única.

Há mais ou menos cinco anos atrás, eu reparei que estávamos chegando em SETEMBRO e ainda tinha ensaio do grupo de dança “árabe” que fica perto de casa. Setembro, e ainda tinha festa “junina”.

Aparentemente, o Governo descobriu essa característica das festas daqui, e resolveu arrumar a casa. Há três anos, a Arena do Memorial dos Povos da Amazônia (que vai continuar sendo sempre Bola da Suframa, não tem jeito) abriga o Festival Folclórico do Amazonas.Promovido pelo Governo do Estado, é um mês inteirinho de festa junina. O mês de JUNHO, curiosamente. 😀

Fui lá ontem. Ah, queridos, eu fui lá ontem. [Fotos clicaumentáveis.]
ceu cor de rosa

Teve sol e luz o dia inteiro, pra fazer uma noite clara e quente.

Do lado de fora da Arena, tem as barracas. As barracas juninas. Aquelas, aquelas. A da pescaria…

E as de comida, nham!

Maçã do amor

Como falei anteriormente, a herança cultural daqui é bastante nordestina. Então, não pode faltar vatapá. [Nota curiosa: em Manaus, é muito comum ver vendedores de churrasquinho nas esquinas. Os melhores oferecem a opção de prato completo. Um “prato completo” normalmente inclui um espetinho, arroz, farinha/farofa e uma dose de vatapá.] Aliás, os vendedores de churrasco lá no festival da Bola da Suframa criaram uma solução que eu achei maravilhosa: fazer churrasco na CHAPA, ao invés de na brasa. É por isso que eu amo o povo e a pova. Gente rica não tem esse jogo de cintura.

Prato Completo

Churrasco na chapa

Dentro da arena, a atração principal são as apresentações de grupos folclóricos. E é aí que eu me acabo. Consegui assistir à Ciranda Sedução, do bairro de São Francisco. Linda a ciranda.

[Nota curiosa 2: a ciranda daqui do Amazonas não tem muito a ver com aquela de ciranda-cirandinha. É uma dança tradicional, coreografada, e cheia de particularidades. Por exemplo, as meninas escondem as pernas com polainas, mas mostram a calcinha. Merecia um post só pra explicar pra vocês o que é ciranda…]

ciranda

Eu cantei, dancei, bati palma. Adoro as músicas de ciranda.

“Ciranda, ô ciranda, vamos todos cirandar,

ciranda, ô ciranda, vamos todos cirandar!

Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar,

vamos dar a volta e meia, cada qual pega o seu par!”

[Nota: NÃO tentem cantar como aquela música de roda. Não é parecida.]

Vamos todos Cirandar

Depois da Ciranda Sedução, houve uma pausa para limpeza da arena. Vi os laranjinhas dando um show…

laranjinhas

E se você não quer ir até as barracas de comida, elas podem vir até você![Eu enlouqueço com esse churrasqueijo!]

Depois ainda teve uma quadrilha cômica [com casamento engraçado]. Mas nenhuma foto ficou boa. E eu dei uma passadinha na barraca das tradições, que é da própria Secretaria Estadual de Cultura. [Sim, a mesma que organiza o Festival de Ópera. Ah, Manaus, Manaus.] Lä tinha cartomante, simpatia da cera da vela pingando, e a explicação sobre os QUATRO santos juninos. Oh, sim, são quatro! Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal.
Fiquei com pena do São Marçal. A hagiografia dele parece piada. “Dizem que ele era o menino que segurava o cesto com cinco pães e dois peixes. Dizem que carregou a bacia com a água que Jesus usou para lavar os pés dos apóstolos.” Pô, ele era um figurante sem fala! Tinha concurso de parlendas também. Olha eu na foto, junto com os atores.

Barraca das tradições

O lugar estava bastante cheio, porém tranquilo.

povão

Os colegas amazonenses do Alexandre estavam presentes, garantindo a segurança de todos e fazendo cara de mau…

PM

Bolo de tapioca é chamado de bolo podre, sabe-se lá o porquê… E o pessoal pode vender bastante bolo de tapioca, em qualquer idioma… 😀 😀 😀

Bolo Pôdi

Além de ciranda e quadrilha, se apresentam também danças nacionais [Dança do Café, dança Gaúcha, dança do Cangaço] , internacionais [“árabe”/ libanesa/ egípcia/ uzbequistanesa, que no final é tudo dança do ventre mesmo, e a dança portuguesa infalível], regionais [Dança do Cacetinho,que é indígena e de luta com porretes. Apesar do nome ridículo, é minha favorita], Bois-Bumbás de Manaus [Corre-Campo, Garrote Estrelinha, Garanhão, Garantido de Manaus]. São mais de cento e vinte atrações.

Em suma: os grupos folclóricos se apresentam, os vendedores garantem uma renda, o povo se diverte, as tradições são passadas adiante…E o Governo fica bem na fita, que ninguém aqui é besta, né mesmo? Panis et Circensis, tudo numa arena só.

Centro Cultural dos Povos da Amazônia

Eu, cá entre nós, acho tudo muito legal e volto lá na semana que vem, antes que o mês acabe! Aguardem Vídeos no YouTube, e um post sobre Ciranda. Não aguardem muito ansiosamente… Mas eu volto.

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Entry filed under: Fotos, Tentando escrever feito gente.

Aviso Coisas de Manauara MESMO

15 Comentários Add your own

  • 1. lulu  |  domingo, 10 / junho / 2007 às 11:42 am

    ai… que gostoso!
    que legal ouvir de você, em tão alto estilo.
    🙂

    um beijo grande

    Lulu.

    Responder
  • 2. claudia lyra  |  domingo, 10 / junho / 2007 às 2:22 pm

    Tá bão, tá bão… sem ansiedade, heheheh…

    Responder
  • 3. ana p.  |  segunda-feira, 11 / junho / 2007 às 9:23 pm

    E vendo vc falando a respeito de tudo isso, dá uma vontade assim de estar aí, curtindo isso tudo…

    Ai, ai, ai…

    Responder
  • 4. Marília  |  terça-feira, 12 / junho / 2007 às 3:10 pm

    Adoro festas juninas! E essa que você descreveu é de matar de inveja!
    Aqui, no Carnaval, os laranjinhas também deram um show! Tinham porta-bandeira e tudo!
    Vatapá é o que mesmo? Comidas típicas me interessam demais!
    Não conhecia esse Marçal não!
    Ai, que diliça!!

    Responder
  • 5. Arnaldo  |  terça-feira, 12 / junho / 2007 às 10:55 pm

    Eva,

    Só fui a Manaus uma vez. Fiquei aí por 3 dias e não saí do distrito industrial, visitando empresas. Acabei não tendo oportunidade de conhecer nenhuma coisa diferente pois o pessoal que estava comigo só pensava em trabalho. De interessante apenas alguns peixes bem saborosos. Da próxima vez que eu for, eu te rapto e te contrato como guia.

    O que achei muito curioso foi que nas empresas, só encontrei paulistas, cariocas e mineiros nos cargos de médio e primeiro escalão. Achei isso bem cruel!

    Responder
  • 6. luanny  |  domingo, 9 / setembro / 2007 às 1:45 pm

    Bom eu visitei e amei o centro cultural povos indigenas da amazonia

    Responder
  • 7. luanny  |  domingo, 9 / setembro / 2007 às 1:49 pm

    O mas legal e que moro nessa cidade linda em Manaus

    Responder
  • 8. iG - Blogs e Colunistas » Blog Archive » Coisa de Manauara - Kikão  |  terça-feira, 6 / maio / 2008 às 3:22 am

    […] cima. Céus. Eu passo vergonha. Escorre pelas mãos, pela cara. Nham.Ano passado, em junho, fui ao no Festival da Bola da Suframa. E lá, eu tive mais uma vez a prova que eu posso ter fé na humanidade. Lá, inventaram de vender […]

    Responder
  • 9. Coisa de Manauara - Kikão » Notícias CTDO  |  terça-feira, 6 / maio / 2008 às 10:52 pm

    […] passado, em junho, fui ao no Festival da Bola da Suframa. E lá, eu tive mais uma vez a prova que eu posso ter fé na humanidade. Lá, inventaram de vender […]

    Responder
  • 10. Miriam Bárbara castelo  |  domingo, 21 / setembro / 2008 às 5:36 pm

    SOU AMAZONENSE, CONHEÇO A ORIGEM DO NOME KIKÁO:Existia na praça são sebastião um trayler que vendia sanduiches, cujo o nome era kikão.
    beijos,saudades de minha terra.

    Responder
  • 11. Yana  |  quinta-feira, 18 / junho / 2009 às 7:31 pm

    Nossa, adorei seu blog, principalmente quando você falou da cirandeiraa. Eu fui cirandeira em 1991! E agora minha filha vai dança ciranda na escola. Estou noltálgica, bons tempos aqueles…
    Parabéns, você escreve muito bem!

    Responder
  • 12. artlinho  |  quinta-feira, 25 / junho / 2009 às 7:47 pm

    eii foi legal mesmo só que eu nao vim foi a quadrilla mulecada no roça pq em a gente foi a campian

    Responder
  • 13. maria amelia  |  terça-feira, 8 / junho / 2010 às 10:24 am

    Gostei da piscina de pesca, queria uma igual. Onde eu posso ccomprar?

    Responder
  • 14. Aldenor da Festança  |  domingo, 13 / janeiro / 2013 às 5:57 pm

    Vc lembra dessa sua postagem, gostaríamos de saber o final da história…Sou presidente da Quadrilha Festança na roça e quando encontramos sua postagem ficamos muito orgulhosos do q lemos e aguçou nossa curiosidade…
    A quadrilha Festança na Roça
    Publicado em 1 de julho de 2008 por Eva Miranda
    Eu e minha mãe fomos a uma festa junina beneficente. Ao nos aproximarmos da quadra onde a festa estava rolando, tocava o eterno Mario Zan, com sua sanfona. Mamãe riu, reconhecendo aquela mesma música de todos os junhos. E comentou que ninguém compõe musica junina nem música natalina. Eu disse que ao menos os meninos do Falamansa tentaram, conseguindo indubitavelmente emplacar duas músicas no repertório junino [o Xote da Alegria (eu tô rindo a toa) e o Xote dos Milagres (pra surdo ouvir, pra cego ver)].

    Comidinhas deliciosas. Bolos de todos os sabores – coco, chocolate, milho, branco, xadrez, mesclado, macaxeira, macaxeira com coco, macaxeira com erva-doce, valei-me São Pedro defenda-me da diabete, amém. Canjica amarelinha. Mungunzá branquinho, ai, o leite condensado e o leite de coco, bendito seja quem botou o leite com açúcar pra ferver pela primeira vez. Churrasco no espetinho. “Prato completo”, vatapá + arroz + maionese + churrasco, tão amazonense o vatapá com maionese. Caruru *suspiro*. Não, suspiro eu não vi. Tapioquinhas feitas na hora.

    Barraca da Pescaria, prisão, Correio Elegante, adoro. Leilão de frango assado.

    E, claro, quadrilha. Eu via as mulheres andando pra lá e pra cá com aquelas anáguas enormes, armadas com bamboles, mas nada me preparou para a Quadrilha Festança na Roça.

    [Continua terça que vem.]

    Responder

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