Archive for agosto, 2006

Digno de nota

Hoje, domingo preguiçoso, acordei uma da tarde.

Escovei os dentes e vim pra sala ver TV com a mamãe. E ela:

– Olha, o Brasil ganhou a Liga de vôlei!
– Ganhou da França?
– Foi, de virada…
– Que massa!
– Ah, e o Massa também ganhou!

domingo, 27 / agosto / 2006 at 9:38 pm Deixe um comentário

Chuva

Correu até chegar embaixo de uma árvore e ficou lá, molhada, a chuva
atravessando as folhas da árvore e caindo ainda mais grossa. Observou os
dois estudantes saindo da escola, a farda encharcada, os cadernos e
mochilas, as mãos dadas, os gritinhos enquanto correm juntos. “Será que
ele vai deixá-la em casa?”

O vento movimentando a água em queda, as chicotadas de chuva. O camelô
resmunga, “Não tem guarda-chuva que proteja dessa chuva horizontal que cai
nessa cidade!” Certo, ele não disse “horizontal”, disse “deitada”, que se
o ambulante tivesse o hábito de utilizar mais vezes a palavra
“horizontal”, talvez tivesse maiores horizontes. Ou não, talvez para
utilizar a palavra “horizontal” fosse necessário antes ter os horizontes
ampliados, a noção do grande e do infinito.

A água gelada escorrendo pelas costas e pela barriga, quase um carinho,
mas como se fosse um carinho incômodo, e o pensamento que surge, “qual a
diferença de estar debaixo do chuveiro e debaixo de chuva?”. As pessoas
gostam de tomar banho, a água caindo, o barulho. E no entanto, todos
correm da chuva. E o outro pensamento, “o que mais incomoda é a roupa
grudando no corpo”. Ninguém entra no chuveiro de roupa, vai ver a
diferença é essa. E veio outro pensamento, “as pessoas deviam tirar a
roupa, e não correr da chuva”, e ela riu sozinha de ter pensado isso.

Imaginou uma cidade cheia de pessoas tirando a roupa e andando
normalmente, talvez alguns trouxessem sabonetes para essas ocasiões, e
ninguém perderia tempo esperando a chuva passar. “Mas todo mundo teria que
ter um saco plástico pra guardar a roupa e uma toalha. E o celular, a
carteira…” Refez o quadro mental: várias pessoas nuas andando com
sacolinhas pra lá e pra cá. Riu de novo, e a água encharcando o jeans, até
a calcinha estava molhada, e isso não tinha nada de sensual, como nas
fotos da playboy. Ficou esperando a chuva passar, uma vontade secreta de
tirar a roupa, botar numa sacolinha de plástico e ir logo pra casa.

quarta-feira, 23 / agosto / 2006 at 8:13 pm Deixe um comentário

Perdendo as estribeiras.

Sinfonia da noite na cidade.

No Morango com Gengibre.

P.S.: Em Manaus tá um calooooooooooooor…Na minha alma também.

quarta-feira, 16 / agosto / 2006 at 12:06 am Deixe um comentário

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tOP 5 coisas que me fazem sentir mais velha

* O Dunga ser técnico da seleção. Eu vi o cara JOGANDO, JOGANDO!

* Pessoas que nasceram em 90, 91, serem mais altas do que eu e terem pelos…faciais.

* Não saber o que está na moda, em gíria, lugares, músicas ou modos de pensar.

* Trabalhar o dia inteiro, estudar à noite e estar tão cansada no fim de semana que a palavra “cinema” soa como palavrão.

* Dar umas exlpicações sobre o local de trabalho pra uns alunos de sétima série que vão fazer um feira de ciências, e na saída, eles se despedirem: “Brigado, TIA!”

Tia. Com vinte e um anos eu sou tia. Deus me proteja até os cinquenta.

Top cinco coisas que me fazem saber que não sou TÃÃÃÃÃO velha assim

* Todas as minhas fotos antigas são coloridas.

* Eu ando sem sutiã. Quando dá.

* Eu trabalho o dia inteiro, estudo à noite, mas se falar “internet”, tô dentro.

* Ainda falta um longo ano pra minha faculdade acabar.

* Eu consigo manter a calma em meio as furadeiras e martelos, simplesmente por estar lendo meus e-mails enquanto isso.

quinta-feira, 10 / agosto / 2006 at 6:06 pm Deixe um comentário

O pessoa se desaponta, vai pro mar, levanta vela.

Como não ser reprovado.

No Morango com gengibre.

quinta-feira, 10 / agosto / 2006 at 1:35 pm Deixe um comentário

Janeiro de 2005

“Longe, num lugar ainda sem nome, havia uma pobre família desfeita. E era uma vez uma menina chamada Maria…” Laura Cardoso narrando.

Aparece Fernanda Montenegro acompanhada de uma garotinha gorda. Elas atravessam uma plantação marrom/bege/cor de terra, penalizadas com a situação do terreno. Fernanda comenta: “Ah, mais aqui era tudo uma verdura, uma fartura sem fim…Que pena, o homem deu de beber…E a menina é tão novinha, que pena, que pena…que desgraceira…”

E entra em cena Maria. Ela brinca com patinhos de madeira, e toca a música que ganhou meu coração pra sempre “Que lindos olhos, que lindos olhos tem você/ que ainda hoje, que ainda hoje arreparei…/Se reparasse, se reparasse há mais tempo/ eu não amava, eu não amava quem amei…”

O Pai de Maria (Osmar Prado), a chama pra dentro de casa. Bêbado (como centenas de outros pais e mães). Maria atende, e passa um café para ele se curar da bebedeira. Lembram-se da mãe de Maria, que morreu pois o sol queimou sua pele muita branca, e os irmãos se espalharam por conta da seca. Por um momento, o pai tenta abusar de Maria, que sai correndo, deixando o pai arrependido e choroso em casa.

Maria encontra-se com Fernanda Montenegro, que lhe oferece um favo de mel e convence Maria a arranjar o casamento dela com o Pai. E, conforme dito pelo próprio Pai: “Se ela te deu mel, agora vai te dar o fel!”

O pai de Maria sai de casa, para conseguir empréstimo no banco. Maria rega sua rosa amarela (símbolo de saudade, pelo que aprendi) e canta:”Olha a rosa amarela, Rosa/Tão bonita e tão bela,Rosa/ Me dá meu lenço, ô Iaiá/ para me enxugar, ô Iaiá/que essa despedida, ô Iaiá/já me faz chorar…” A Madrasta vira uma peste na vida de Maria, que assume todo o trabalho de casa e não tem mais ânimo nem pra brincar, chorando de cansaço à beira do riachinho. E é aí que vê sua protetora Nossa Senhora (“Ai, minha santinha venerada, me leva pra longe daqui!”). A santa (que, não por coincidência, é a cara da mãe da menina) diz para Maria ter paciência, pois “o que há de ser tem muita força e todo mundo tem seu dia. Logo vai chegar o seu.” [Tenho acreditado sistematicamente nisso.]

A Madrasta arranja mais uma tarefa difícil: espantar os passarinhos com uma vara, para que eles não biquem as frutas de uma árvore. Antes de sair de casa, Maria reza e acende uma vela, dizendo para a santa: “Essa luzinha é a minha alminha, que entrego pra minha santinha.” Maria tenta espantá-los, mas os passarinhos são tantos…(E maravilhosamente feitos com computação gráfica.) A Madrasta, por maldade, apaga a vela e Maria cai. Sobre ela, cresce um capinzal que canta quando o vento passa: “Meu querido, meu pai/não me cortes os cabelos/minha mãe me penteou/minha madrasta me enterrou/pelo figo da figueira/que o passarim bicou…” [Meu pai contou essa história do capim pra mim!]

O pai de Maria volta, e descobre a maldade da Madrasta. Desenterra Maria do capinzal [é aflitivo ver a menina enterrada], mas a menina decide fugir de casa para não ser mais maltratada, e buscar o que sua mãe lhe disse quando era menor: que perto das franjas do mar ela ia encontrar um tesouro, que só podia ser aberto através da chavinha que Maria carrega consigo. O Pai vai atrás, deixando a Madrasta com sua filha comilona.

Maria bota o pé na estrada, e a voz de Laura Cardoso volta:
“Entonce, de maneiras que foi ansim
por esta forma:
Maria ganhô estrada,
envergou caminhada
sem querê ver fim.
Mai, vigia,
que ela num sabia
nem da terra do sol a pino,
que secava bicho, home e menino.
Mai fecha as janela do zóio, dorme e sonha.
Que a noite seja risonha
e amanhã a gente continua,
quando cair o sol, arribar a noite e suspender a lua. Inté!”

E eu, no sofá de casa, fico com os olhos arregalados, trêmula por conta do que Monteiro Lobato chamou de vertigem da beleza. Lindo de dar com pau em cima. Lindo de encantar. Lindo de rir e chorar. Lindo de deixar saudade.

E esse foi só o primeiro capítulo… Nem contei pra vocês ainda que, depois, ela cresce e se apaixona por um homem que é pássaro durante o dia e Rodrigo Santoro durante a noite… E que quando eles se despedem, ele pergunta: “Você me espera até amanhã?” e ela responde: “Esperava mesmo que um dia fosse igual a um ano…”

E nem contei que, no capítulo em que prendem o Rodrigo Pássaro Santoro numa gaiola, ele e ela cantam em dueto “Melodia Sentimental”, letra de Dora Vasconcelos e música de…Villa-Lobos.

Acorda, vem ver a lua!
Que dorme na noite escura,
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura…
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar.
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo…
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar!
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma…
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua!
Que dorme na noite escura…
Querida, és linda e meiga,
Sentir meu amor e sonhar…

E depois que a música termina, eu tive febre e não pude dormir a noite inteira. Fiquei com vergonha de dizer pra mamãe que a culpa era do Rodrigo Santoro.

Ai, ai. Me resta comprar o livro ou esperar pelo DVD…

Para saber mais:

E hoje foi dia de Maria, excelente resumo crítico da primeira fase da minissérie.

Crítica: Hoje é dia de Maria- Segunda Jornada – Outro ótimo resumo, desta vez da segunda fase. Concordo com TUDO o que está escrito – a cena de Letícia Sabatella como Asmodéia também me constrangeu, por ser longa, inútil e agressiva. Tomara que cortem no DVD, tomara.

Hoje é dia de Maria” – Marcelo Maroldi registra impressões, pensamentos e outras coisas mais sobre a série, no necessário Digestivo Cultural.

terça-feira, 8 / agosto / 2006 at 2:07 pm 2 comentários

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Ele fez um post sobre o quanto é bom ser cientista. Mas falou o tempo todo do encanto com a natureza, coisa típica de cientista natural.

Eu, como estudante de humanas, tenho que dar meu pitaco.

Quem é das humanas se fascina com as coisas que o homem faz. As coisas que o ser humano tem de especial.

Quem é das Sociais fica de boca aberta quando vê que milhões de seres humanos são diferentes de milhões de formigas.

Quem é das Sociais aplicadas enlouquece quando vê as ferramentas estatísticas em ação pra resolver problemas que pessoas criaram. Quando se percebe que, mesmo você tendo a média de exportação de um país, decisões de UM presidente ou UM ministro da Economia podem virar tudo de cabeça pra baixo.

Quem é da Administração vê o funcionamento dos formigueiros dos seres humanos. Vê como controlar um estoque e não deixar as pessoas sem trabalho. Vê como saber se aquela pessoa está de acordo com o perfil da posto de trabalho. Vê como funciona o mercado de ações, com dinheiro que não existe causando falências reais. Vê como fazer um ambiente de trabalho ser o melhor possível, mesmo que o trabalho seja repetitivo. Aliás, quem faz administração faz tudo pra diminuir a repetição do trabalho… Quem faz administração está sempre olhando as empresas de cima de um arranha-céu, se espantando com a beleza do suor humano colocado ali, a diferença de cada tijolo formando um todo único, o emprego, a fabricação, a exatidão dos processos e a imprevisibilidade dos erros, a necessidade de improvisar sobre coisas que durarão anos.

sábado, 5 / agosto / 2006 at 9:30 pm Deixe um comentário

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Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. Gibran Khalil Gibran