Archive for julho, 2005

Pequeno manual prático para quem vai viajar de avião pela primeira vez

Pequeno manual prático para quem vai viajar de avião pela primeira vez

Passagem na mão, planos na cabeça… e agora? Pra quem está vivendo
isso pela primeira vez, algumas diquinhas de quem tem mais quilômetros voados.

Primeira coisa que você tem de saber: a viagem só começa quando você
chega no seu destino. Tudo o que vem antes disso é apenas preparativo – inclusive o trajeto feito dentro do avião.

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Dentro do avião

Lição número 1 – no avião faz MUITO FRIO. Previna-se.

Lembra do tênis? Não vai fazer volume na sua mala pois ele vai e volta
no seu pé, dentro do avião. Levar mais de um par de tênis para uma viagem
de menos de um mês é loucura.

Meias. Nunca são demais. Se ficarem com chulé, você pode jogá-las no
lixo, ao contrário do tênis.

Sabe o casaco? Tenha um – não necessariamente jeans, mas
necessariamente grossinho. Rola um moletom leve, uma sarja. Rola até mesmo uma blusa de manga comprida. Leve algo quentinho, mesmo que você esteja indo para Cuiabá.

(Em Cuiabá costuma fazer 42º todo dia. Pois quando eu fui pra lá,
peguei um frio de DEZ GRAUS, e quem me salvou foi o meu casaco-do-avião).

Lição número 2 – Aviões são burocráticos

Chegou ao aeroporto? Procure um carrinho de bagagem e descubra como ele
funciona. Vai por mim, em cada aeroporto eles funcionam de um jeito
diferente. Em Val-de-Cãns (Belém), tem uma barrinha vermelha que você
aperta enquanto empurra. Se não apertar, as rodas travam. No Tom Jobim
(Rio) tem duas orelhinhas com a mesma (in)utilidade. No Eduardo Gomes
(Manaus) os carrinhos são normais, porém alguns estão com as rodas tortas. Fuja deles.

Botou a bagagem no carrinho? Hora de procurar o balcão da companhia.

Lá, você vai fazer três perguntas:

-Que horas sai o vôo nº tal?
-Que horas abre o check-in?
-Onde vai ser o check-in?

O idel é fazer o check-in uma hora antes do horário previsto para o vôo.

Pegue seus documentos e coloque dentro de um envelope, que deve sempre
estar ao alcance da mão (mas JAMAIS dentro de uma pochete). A passagem,
RG, CPF, e todos os papeizinhos que vão te dar no balcão da companhia
(são muitos, muitos.Cartão de embarque, cartão de bagagem, tudo com partes
dobráveis/destacáveis/adesivas) Deixe tudo lá dentro, e quando o funcionário pedir pra ver, jogue o envelope na mão dele. Dá um prazer meio sádico vê-lo tendo de conferir um por um.

Nem pense em perder seus documentos – especialmente o Ticket amarelo
que parece uma nota de supermercado. Sem ele você não entra nem na sala de embarque.

Para fazer o check-in, você tem de se despedir de quem foi te deixar no
aeroporto e entrar numa sala em separado. Check-in é: despachar a mala
grande e ficar só com a bagagem de mão. Depois que sua mala sair
rodando na esteira rolante e você estiver com o Ticket amarelo na mão, você vai
entrar no salão de embarque.

E vai ficar lá um bom tempo. Esse é o problema de fazer o check-in com
uma hora de antedência. O salão de embarque normalmente tem cadeiras, mas
nem sempre há cadeiras em número suficiente. Todas as vezes em que passei
pelo aeroporto de Brasília, tive de ficar esperando no chão.Dica: Saque de
dentro da maleta de mão um livro, e use a mesma como travesseiro.

Ouvidos atentos à voz bonita da infraero. É ela quem vai informar por
onde você entra.

Algo como: Transbrasil Vôo: Cinco.Cinco.Oito.Nove. Com destino a:
Salvador. Com escalas em: Belém – Brasília – Goiânia . Embarque no
portão C.

(Eu daria meu reino pra que você pudessem ouvir a minha imitação da
Moça da Infraero.)

Quando ela chamar o número do seu vôo (decore este número), você
levanta e vai para o portão. Ficou em dúvida se é o seu? PERGUNTE, PERGUNTE,
PERGUNTE.

A partir daí, só há um caminho. Em alguns aeroportos, é necessário
descer na pista de pouso e caminhar na pista, porém, na maioria você anda
dentro do Minhocão. Não vou explicar como é – você VAI reconhecê-lo, e nunca
mais vai conseguir chamá-lo de passarela.

No fim do minhocão fica a porta do avião. O comissário te cumprimenta,
você responde e vai sentar no seu lugar.

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Lição número 3 – O avião é um útero gigante – escuro, apertado e com
ruído de fundo.

Encontrou sua poltrona? Coloque a bagagem no bagageiro (Dã) e permaneça
com seu kit básico de sobrevivência dentro do avião à mão (mas NUNCA
dentro de uma pochete). Mulheres usam bolsas, e tudo é mais fácil
assim.

Se você é homem… Use calças cargo. Enfie tudo nos bolsos. Mas não use
pochete.

No Kit básico de Sobrevivência tem que ter:

1) Chicletes. Vai por mim, o ouvido dói muito na hora de subir e
descer. Bolin bola são os melhores – grandes, macios e baratos.

2)Máquina Fotográfica – Peça pra alguém bater uma foto sua – é a
primeira
vez que você está andando de avião, poxa.

3)Leitura.Qualquer uma. O avião é o único meio de transporte que
permite a leitura – pela estabilidade da viagem. Eu, pelo menos, se for tentar
ler num ônibus vou vomitar em dez minutos. Negocinho chacoalhante.

4)Óculos escuros. Ninguém merece sua cara inchada de sono.

5)Pastilha de hortelã. Ninguém merece seu bafo depois de ficar quatro
ou cinco horas de boca fechada!

6)Comida. VAI POR MIM. Prepare em casa um pão com queijo e bota lá
dentro. Ou uma maçã. Depois que a Gol entrou no mercado, com seus
preços maravilhosamente baixos e custos também, o máximo que vão te dar é um
pacotinho de amendoim. Ou uma barrinha de cereal. Ou um pacotinho de
batata frita “Mac´Boy”. Ou um pão massudo com queijo que passou lá na
esquina. Vingue-se: repita três vezes a bebida – na primeira suco, na
segunda Coca e na terceira chá gelado. E peça uma aguinha quando
faltarem vinte minutos pro desembarque.

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A não ser que você seja bastante sociável, evite puxar assunto. Seja
polido e distante. Avião é um espaço confinado, e nem todos se sentem à
vontade pra bater papo.

E outra: Você puxa o papo.A pessoa gosta do papo.O bate-papo dura vinte
ou trinta minutos,e depois…mixou o papo. O que você vai fazer nas outras
três horas e meia de vôo? Ficar desconfortavelmente evitando olhar na
direção da outra pessoa, entrar no banheiro e não sair mais, ou fingir
que dormiu?

Vai por mim: mergulhe desde o início do vôo na sua leitura. E, assim
que conseguir, durma.

Ou não vá por mim, e converse com a pessoa do lado, e descubra uma
grande amizade, ou o amor da sua vida, ou uma companhia agradável, ou um ser
humano fascinante. É tão bom viver de acordo com suas próprias regras.

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Leia as instruções de segurança, mas não se assuste com parte da
aterrisagem forçada na água. Se você estiver ao lado de uma saída de
emergência, peça pra sair de lá. Por dois motivos: a poltrona não
reclina e pode ser que você fique muito nervoso para ABRIR a porta em caso de
emergência. Ou que fique nervoso demais e abra antes da hora de
emergência, aí já viu.

Em cima da sua cabeça tem botõezinhos e rosquinhas. As rosquinhas
servem pra direcionar o ar-condicionado pra cima de você. Se estiver com frio,
desligue ou mude a direção. A luz serve pra você ler. O botão com o desenho de uma pessoa serve pra pedir uma aguinha pros comissários (se você for muito chato, muito rico, muito chique ou muito nervoso, algumas companhias oferecem bebida alcoólica. Eu não recomendo – pense que os efeitos do álcool são potencializados pela baixa pressão. Enjôo e dor de cabeça dobrados – fora o bafo). Se você tiver mais de dez anos, não peça comida antes da hora da comida.

Tire o casaco, vista as costas para a frente, se enrole como puder
sobre seu próprio corpo. Não esqueça de acordar na hora de ver a paisagem lá
embaixo – se for à noite, é lindo, pois TODAS as estrelas do céu
estarão lá, como nunca se vê nas grandes cidades; se for de dia, é curioso,
pois você vai ver a paisagem natural como se fosse uma maquete.

Se seu destino for o Rio, você vai ouvir (com o coração) Tom Jobim
cantando pra você: “Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara…Esse samba é só porque, Rio, eu gosto de você. A morena vai sambar, seu corpo todo balançar…Aperte os cintos, vamos chegar! Água brilhando, olha a pista chegando e vamos nós…pousaaaaaaaaaar…”

O avião passa por cima da Baía de Guanabara e logo em seguida vem a
cabeceira da pista. Isso depois de sobrevoar durante uns vinte minutos
uma das paisagens mais bonitas do mundo.

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Se o seu destino for Manaus… Chegando de dia, você vai ver rios,
florestas, mais rios, mais florestas, e de repente casas, casas, casas,
prédios, ruas, carrinhos passando lá embaixo, e muitas partes verdes.

Chegando à noite, você vai ver uma ilha de luz no meio da escuridão
total – uma das coisas mais deslumbrantes que eu já vi. Pois Manaus é isso
mesmo: uma preciosidade rutilando no meio da floresta.

Siga as instruções da tripulação, ande no minhocão, e vá esperar sua
bagagem na esteira. As esteiras obedecem à lei de Murphy:

1)Todos querem que sua mala seja a primeira.

2)A primeira mala nunca pertence a ninguém.

3)Durante dez minutos, não aparece nenhuma mala nem mesmo vagamente
semelhante à sua.

4)Vem uma mala que é igual à sua. Você chega a pegar nela – mas ela
não ésua.

5)Mais dez minutos de espera. Você olha do outro lado do vidro e vê
que a pessoa que foi te buscar já está impaciente.

6)A sua mala chega.

Bote a mala no carrinho, atravesse o portão-que-abre-quando-você-pisa,
encontre as pessoas que foram buscar você, bata uma foto (é sua primeira vez, portanto, seu primeiro desembarque) e, agora sim, boa viagem.

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quarta-feira, 20 / julho / 2005 at 1:05 pm 418 comentários

Para o bem da humanidade

Eu A.D.O.R.O. blogs. Adoro. Tenho certeza de que é nos blogs que está sendo criado o paradigma para a linguagem da internet – uma linguagem ágil, plena em referências a outros textos e mídias (links estão aí pra isso, não?), simples sem ser pobre, informal sem ser esculhambada, livre sem ser permissiva.

Os blogs são laboratórios de expressão. Os blogs são salões de beleza. Os blogs são divãs. Os blogs são mesas de bar. Os blogs são catálogos de idéias.

Os blogs têm liberdade para mostrar qualquer tipo de tema. Sacanagem (como o Jair Beirola faz com muito estilo), reflexões sobre o ser humano (como um dos meus seres humanos favoritos vem fazendo cada vez melhor nos últimos meses), crônicas sobre coisas da vida (Franka, mais uma maravilhosa que escreve nesta teia de aranha), poesias (Luabella, a poetisa da minha Amazônia ) e análises da realidade feitas de uma maneira lúcida e gentil (Pensar Enlouquece, pense nisso…).

Comportam também discussões sobre literatura (Alex Castro) , e relatos sobre fatos incomuns da vida de uma menina normal… Como eu.

Os blogs são a minha maior alegria na Internet, e a eles dedico 80% do meu tempo de navegação.

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Porém, devo avisar a quem me conhece, me lê, ou já recebeu algum comentário meu, que só tenho acesso à Internet no trabalho.
E o meu trabalho bloqueou a palavra BLOG. Qualquer endereço que tenha a palavra blog não abrirá na minha tela.

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Fico pensando se os blogs podem ser algo tão perigoso assim. Deixe sua opinião nos comentários, e no dia em que eu tiver acesso a um computador não-bloqueado, visito, comento, leio meus seis e-mails, posto alguma coisa e procuro mais coisas legais pra ler.

A gente se vê.

sábado, 9 / julho / 2005 at 2:25 am 6 comentários


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Aspas da Semana

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. Gibran Khalil Gibran