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quarta-feira, 10 / novembro / 2004 at 7:59 pm Deixe um comentário

Após uma longa ausência…*

Ah, eu estive ausente por vários motivos. Primeiro, falta de internet em casa e na facool. Segundo, depois que a internet voltou, eu andava meio sem inspiração pra isso aqui, viu?

Mas eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, ninguém vem pentelhar. A propósito, o Selph fez um bom trabalho postando aqui na minha ausência. Quando eu quiser ficar mais dois meses sem aparecer, contrato ele pra ser meu mucamo.
(e para as leitoras deste espaço, o rapaz está solteiro e é bem alto. Sei lá, eu gosto de cabeludos, pode ser que alguém tenha preferência por menino alto, e aí…Ai, o Selph vai me matar.)

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Assuntos que você não vai encontrar neste post:

*Eleição
*Eleição
*Quem foi eleito
*O que eu acho dessa merda de política

Porque a minha opinião sobre eleição é : blé. Pra quem morreu nos porões da ditadura defendendo o direito de votar: meus pêsames. Mas blé.
Blé, porque tanto faz quem estiver lá na frente, o salário de um vereador é sete mil. Eu, enquanto era bolsista da Universidade (produzindo saber científico, aprendendo a ser uma profissional ética, dando aula sobre relações interpessoais numa comunidade carente, pra fazer os caras terem mais consciência do que está ao redor deles, lendo livros de filosofia que ensinam uma forma de pensar revolucionária e contribuindo pro Brasil ficar um pouco menos burro e mil outras coisas) ganhava DUZENTOS E QUARENTA E UM REAIS – E CINQUENTA CENTAVOS.

Blé, gente,blé. Eu já estive no lugar onde os vereadores (cof,cof) trabalham. Vão lá em dia de plenária. Quando vocês tiverem o desprazer de ver o cara mais tosco de terno, VIRADO DE COSTAS pro presidente da plenária, e você souber que ele ganha sete mil, vocês vão me entender.

Blé, pra todos esses caras que votam o aumento do próprio salário. Por isso que eu simpatizo com a atitude da Heloísa Helena, que usava calça jeans e prendia o cabelo num rabo-de-cavalo.

Na minha opinião, política não dá certo, eleição também não, quem se ferra é sempre o povo. Anulei meu voto sim, não fazia a menor questão de escolher quem ia ser o próximo engravatado. Vamos comer farinha de macaxeira, eu estar feliz, vocês estar feliz?

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Eu nunca tinha lido o ser humano tão frágil e humano como neste texto. Se não tivesse tanta foto de mulher de calcinha, eu assinava a revista Vip, viu?

Aliás, quando tiver de novo um homem próximo da minha rotina (meu pai já é falecido e meus irmãos são de outras cidades) eu vou pedir pra ele assinar a vip e me deixar ler todo mês. Cada texto bom, viu!

Você é apenas um menino
Será que algum dia os homens realmente crescem?
por Fabio Hernandez

Você é um menino. Treze, catorze anos. Inseguro, tímido. Começa a se interessar pelas mulheres. E não vai demorar para perceber que mulheres e problemas aparecem juntos em sua vida. Você não sabe lidar com o mundo novo no qual está entrando. Sua voz está mudando. Os pêlos estão aparecendo. O futebol já não é seu único interesse. Aparecem os primeiros bailes. Você não sabe direito que roupas escolher. As sugestões de sua mãe lhe parecem horríveis. Mãe nunca acerta na roupa do filho, uma lei tão velha e tão eterna quanto as estrelas no céu e as ondas no mar. Ser criança era muito mais fácil.
E então você olha para os garotos um pouco mais velhos. Eles estão nas classes um ou dois ou três anos mais adiantadas que a sua. Seu olhar mistura admiração e inveja. Eles parecem tão seguros. Tão confiantes. Alguns ameaçam um bigode, uma barba. A voz já está definida. E as meninas da sua classe estão apaixonadas por eles, não por você. Eles são mais altos que você. Eles são melhores que você. Já devem até ter dormido com alguma menina. E você jamais viu uma mulher nua que não fosse sua mãe ou não estivesse numa revista. Eles se libertaram daqueles programas sem graça com a família. Mas seu dia chegará. Os dias hão de passar. Você vai crescer e seus problemas desaparecerão. Você será um homem firme, forte, como os caras mais velhos. E eis que você é como eles. Os caras maiores que você via de longe. Você imaginava que sua vida seria outra. Mas não foi bem assim. Você cresceu, sua voz engrossou. Você até viaja sozinho, sem os pais, com os amigos. A virgindade ficou para trás, mas você já percebeu que o sexo não é o fenômeno extraterrestre que você pensava ser antes de experimentá-lo. É bom, às vezes muito bom, algumas vezes ótimo. Mas não é coisa do outro mundo. A terra não treme sempre ao fazer sexo, ao contrário do que você sonhava. Você já é um homem. Ou quase um homem. E pensava que a segurança máscula viesse com o tempo, com a mesma naturalidade com que a terra se molha quando vem a chuva. Mas não.
Seu dia chegará.
E então você olha para os homens feitos. Formados, empregados. Alguns casados. Eles, sim, são os típicos homens. Basta olhar para o andar seguro, o olhar firme. Eles não têm dúvidas, não têm medos como você. Os mais ricos têm carros chiques. Pagam com cartão de crédito, e não com o dinheiro pedido a seu pai, como você. Uns vestem gravatas que devem valer duas mesadas suas. Alguns têm um cartão em que estão escritos o nome e o cargo. Nada parece ser capaz de abalá-los. Eles não sentem vontade, nas noites mais escuras, de pedir um refúgio na cama dos pais. Você sente, às vezes. Seja honesto: você fez isso outro dia. Seu dia chegará. E chegou. Você se formou. Arrumou um emprego promissor. Tem um cartão profissional. O carro podia ser melhor, mas é bom. Tem ar-condicionado e som. O namoro é firme. Deve terminar em casamento. Seu armário tem até um blazer Armani que você comprou num momento de entusiasmo e desvario. Mil reais. Você parece o cara mais seguro do mundo, como todos os seus colegas e amigos. Mas só parece. Lá dentro continua uma criança, como todos os seus colegas e amigos. Todos disfarçam bem. Todos aprenderam que ser homem é ser forte. Você queria gritar socorro, mas não convém demonstrar fraqueza. Você queria se abrigar no colo de seu pai, mas ele já não está lá. E então você ri, porque a vida é mesmo engraçada, repleta de crianças fingindo-se de homens até o último dos dias.

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Faculdade?
Nunca gostei tanto das disciplinas…e nunca estudei tão pouco.

Teatro?
Duas peças para novembro, uma ENORME no Teatro Amazonas (que te quiero hasta siempre) e outra menor em um auditório de uma universidade particular. Adoro as duas – e adoro ensaiar no sábado até dez da noite, no domingo de nove às nove… Eu sou muito esquisita.

Trabalho?
O programa que paga minha bolsa-menor-que-o-salário-mínimo me traz alegrias e dores de cabeça..E a Repartição Pública publicou meu nome do Diário Oficial (concurso público, parece que todo mundo faz!) e agora eu tenho de fazer VINTE E TRÊS EXAMES DIFERENTES (se eu tivesse mais de 40, iam ser vinte e quatro – ia ter também Eletrocardiograma).

Se eu estou feliz por ir trabalhar como funcionária pública concursada? É, né…Tipo assim, tô… Mais ou menos. Mexeram no meu queijo, e isso não era bem o que eu tinha sonhado pra mim. Mas mamãe e eu cansamos de vender o almoço pra comprar o jantar. Afinal, o dinheiro pode até ser uma coisa boa.

Coração?

Hum…se eu disser pra vocês que na minha conta de interurbano apareceu uma ligação de três horas de duração eu respondo?

Nota Mental – Só telefonar pra Belém se estiver ajoelhada no milho.

Internet?

A Menina-Prodígio está de volta!

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