Archive for setembro, 2004

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Idiotice é vital para a felicidade

Ailin Aleixo

Gente chata essa que quer ser séria, profunda, visceral. Putz, coisa pentelha. A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado do Schopenhauer? Deixe a pungência para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota. Ria dos próprios defeitos, tire sarro de suas inabilidades. Ignore o que o boçal do seu chefe proferiu. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, objetivos claramente traçados mas não consegue rir quando tropeça? Que sabe resolver uma crise familiar mas não tem a menor idéia de como
preencher as horas livres de um fim de semana? Sim, porque é bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Em suma: desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. A realidade já é dura; piora se for densa. Dura e densa, ruim. Brincar, legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não se descontrolar, não demonstrar o que sente. É muito não. Dá pra ser feliz com tanto não? Pagar as contas, ser bem- sucedido, amar, ter filhos – tarefa brava. Piora, muito, com o peso de todos aqueles nãos. Tenha fé em uma coisa: dá certo ser adulto e idiota. Aliás, tudo fica bem mais fácil ser for regado a idiotice, bom humor. Manuel Bandeira foi um grande homem e um grande poeta. Disse certa vez: “E por que essa condenação da piada, como se a vida fosse só feita de momentos graves ou só nesses houvesse teor poético?” Estava certo.

Empine pipa!

Adultos podem (e devem) contar piadas, ir ao fliperama, beliscar a bunda da mulher, sair pelados pela cozinha. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, pra começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que são: passageiras. A briga, a dívida, a dor, a raiva, tudinho vai passar, então pra que tanta gravidade? Já fez tudo o que podia para resolver o problema? Parou, chorou, pediu arrego? Ótimo, hora da idiotice: entre na Internet, jogue pebolim, coma um churrasco grego. Tá numas de empinar pipa no sábado? Vá. Quer conversar com sua namorada imitando o Pato Donald mas acha muito boçal? E é, mas e daí? Você realmente acha que ela vai gostar menos de você por isso? Ela não vai, tenha certeza. Só vai gostar mais, porque é delicioso estarmos com quem sorri e ri de si mesmo.

Eu fico chateada por não ser tão idiota quanto gostaria; tenho uma mania horrível de, sem querer, recair na seriedade. Então o mundo fica cinza e cada lágrima ganha o peso de uma bigorna. Nessas horas não preciso de cenhos franzidos de preocupação. Nessas horas tudo de que preciso é uma bela, grande e impagável idiotice. Como sair pra jogar paintball – ou, melhor ainda, me olhar fixamente no espelho até notar como fico feia com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo. Como fico ridícula quando esqueço que tudo passa.

Ailin Aleixo é colunista da revista Vip, onde este artigo foi originalmente publicado.

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Perfeito, né? Achei aaqui. E ele é bom no que faz.

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About me:

*apaixonada, apaixonada, apaixonada.

*Ocupada, ocupada,ocupada. Atas pra escrever, livros pra ler, trabalhos pra fazer, vida pra viver…

*Apaixonada, apaixonada, apaixonada. Eu já contei pra vocês que fiquei DUAS HORAS num interurbano pra Belém numa segunda feira? Minha mãe vai enfiar a mão na minha garganta e arrancar minha traquéia. Não, pensando bem, ela não é disso.

*E sim, é o Menino-Com-Cara-de-Artista. Um encanto, um fofo completo, um amorzinho, um cara gente finíssima, que lê Veríssimo e Jorge Amado, e gosta do céu tanto quanto eu. Mas eu preciso inventar outro apelido pra ele, porque Menino-com-cara-de-Artista é muito grande e cheio de hífens. O apelido, não ele!

* Quero viajar! De preferência pra Belém, mas outro lugar também tá valendo!

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Me ame, me alimente, me dê carinho! Garfield

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terça-feira, 21 / setembro / 2004 at 6:40 pm Deixe um comentário

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Fora do comum

Menina de cabelos ondulados,
tão quanto as ondas do mar,
moça que não deixa faltar,
em nenhum momento, sonhos alados…

Mais que sonhos, idéias vibrantes,
únicas, idéias vivas ritmadas
pela batida de seu coração. Olhar inebriante
que enxerga além das aspirações facilitadas.

Não, eu não conheço o seu universo
tão infinito, não analisei o diverso
de sua consciência, mas, assim que te conheci,
percebi que és uma das mais brilhantes que já vi.

A diferença, a diferença sua,
é o seu sentimento de vitória,
a vontade de transformar a história,
mesmo ela sendo crua, e nua.

Heróina em essência,
de perfeita ciência,
brilha estelar em todo o espaço,
e é forte, tão forte como o aço.

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Eu estou toda estufada, porque EU GANHEI ESSE POEMA LINDO! É MEU, é pra mim, é sobre mim!

Valeu,
Adriano

segunda-feira, 13 / setembro / 2004 at 4:36 pm Deixe um comentário

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E olha eu aqui!


Me diz aí, você, que sabe: porque quando a gente tá feliz todo mundo diz que a gente tá mais bonita?

Eu não me acho bonita, mas de uns tempos pra cá parece que eu tenho luz própria, é só o que eu sei dizer…

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Dia cinco de setembro é Dia da Elevação do Amazonas à Categoria de Província.

Esse nome monstro quer dizer que o Amazonas deixou de morar na casa do Papai-Pará pra ser dono do próprio nariz e rachar um apê com o Acre e com “a” Roraima.

Só que aconteceram problemas de relacionamento entre o Amazonas e o Acre, pois o Acre sempre trazia uns amigos que falavam espanhol e folhas estranhas pra casa, coisa que o Amazonas não aprovava. Já tinha tanta folha em casa, pra quê esse menino fica trazendo mais?

Já Roraima era uma moça muito dada, tinha contatos internacionais com todo tipo de gente desinteressante, inclusive aqueles caras que falam inglês sem serem americanos nem ingleses (Guiana), e também a moça que inventou a pizza de Folhas (Margarita). O problema é que os amigos de Roraima eram todos um bando de amigos da onça – sempre usaram a moça, ingênua que só ela, pra obter favores do Amazonas.

O Amazonas, que depois do lance do roubo das Seringueiras estava meio desconfiado, decidiu investir suas economias num quarto e sala privativo e mandar o Acre e a Roraima se virarem sozinhos.

Acre, que sempre teve inclinações religiosas, optou por viver no isolamento, apenas de vez em quando mandando sinais de sua existência. Inclusive, muitos afirmam que Amazonas é esquizofrênico e que o Acre é fruto de sua imaginação; ninguém além do Amazonas jamais viu ou conversou com o Acre.

Já Roraima, que apesar de muito comunicativa nunca bateu muito bem da bola, sempre bate à porta do Amazonas para pedir favores – uma xícara de açúcar, uns turistas que estivessem de passagem pra Margarita ou pra Venezuela, algum dinheiro emprestado, uma razão de ser – e depende completamente do amigo até para se vestir.

Com tais vizinhos, o Amazonas teve de pensar num jeito de ganhar uma graninha e pediu pra Tia Brasília umas indústrias de presente de aniversário. Tia Brasília, que nunca entendeu direito aquele sobrinho alto, gordo e com mania de bicho-grilo, deu as indústrias pra ele calar a boca e esqueceu.

Amazonas- Tia Brasília? Sou eu, Amazonas…
Brasília – Menino, quanto tempo! Nem lembrava mais de você direito… Desde que você saiu da casa de seu Pai perdi o contato..Mas também, esse lugar em que você foi morar é tão longe!
Amazonas – É longe mas eu tô pensando em fazer umas melhorias, sabe? Fazer a laje, puxar um banheirinho…
Brasília – Que sotaque é esse? Você tá andando com o Rio de Janeiro?
Amazonas (envergonhado) – Que é isso, tia… Eu tô de olho é na Paraíba…
Brasília – Esquece, menino, o Ceará tem aqueles olhos verdes cor do mar, você já perdeu essa parada. Mas pra que você me telefonou?
Amazonas – É que eu ando precisando de grana…
Brasília – Quer que eu crie mais uns cargos públicos pra você, que nem eu fiz com a desmiolada da Roraima?
Amazonas – Não, tia…Eu queria umas indústrias, a longo prazo o investimento é melhor.
Brasília- (sorrindo benévola) Olha que bonitinho, falando de longo prazo…Parece até gente grande! Vou te dar as indústrias que você quer, pixuquinho.
Amazonas – (com um sorriso forçado) Dava pra senhora fazer um pacote completo e me dar também estradas, siderúrgicas, ferrovias, e incentivos fiscais?
Brasília – Muito ousado você! Seu pai não te deu semancol? Só as indústrias – e os incentivos fiscais por tempo limitado!
Amazonas – Obrigada, tia! Eu me viro (já saindo) Mas nem uma estradinha?
Brasília – Vai estragar o seu quintal.

Com indústrias e sem estradas, o Amazonas se virou do jeito que deu. Investiu na reforma da Mansão Manaus, que ficou grande, com mais de um milhão de quartos. Só que esqueceu de capinar o quintal, que ficou cheio de mato. E sabe como é, em mato alto se esconde todo tipo de bicho…até que um dia, após o lanche da tarde, o Amazonas notou umas pegadas de barro na cozinha…Qual não foi sua surpresa ao encontrar, escondido debaixo da pia, o seu próprio Pai!

Amazonas – Papai, o que o senhor tá fazendo na minha casa?
Pará – Eu fui entrando pelo quintal, você nem notou. Aliás, tava na hora de comprar uma roçadeira Stihl, hein? Esse mato tá muito alto! Aposto que tem até onça!
Amazonas – Papai, a minha relação com o mato é diferente da sua…Eu tô vendo o que eu posso fazer pra ganhar dinheiro com ele.
Pará – (de olhos arregalados) Com mato???
Amazonas – Tem uns gringos aí que compram qualquer coisa que a gente oferece, he he he…
Pará – Cuidado com isso, meu filho…Eu tive uma experiência desastrosa com uns japoneses que queriam registrar o Açaí… A minha sorte foi que eles não sabiam escrever direito. Escreveram Assa Hy , e o professor Pasquale processou os japas.
Amazonas – Mas pai, o que o senhor veio fazer na minha casa?
Pará – Trazer umas tapioquinhas, uma farinhazinha, um tacacazinho…
Amazonas – E o que mais, pai?
Pará – Uns trezentos imigrantes…
Amazonas – Porra, pai! Sacanagem um negócio desses! Você não consegue controlar o seu índice de criminalidade e fica trazendo ladrão pra minha casa?
Pará – Filho, você não sabe como tá a situação lá em casa. Parece que tudo parou no tempo…Nada se movimenta, nada gira, o comércio tá esfriando, o povo não consegue ganhar dinheiro…E você tá tão cheio de oportunidades…
Amazonas – Ah, pai, sei lá. Se vira aí nos quartos da Zona Leste, você e os seus imigrantezinhos. Eu tô ocupado, preciso comprar um terno pra ir visitar a tia Brasília…Os subsídios que ela me deu tão quase perdendo o prazo de validade, e eu não consegui ainda fazer as estradas…
Pará – Filho, que sotaque é esse? Você tá andando com o Rio de Janeiro?
Amazonas – PORRA, PAI!
Pará – Eu só estou preocupado com as suas companhias…
Amazonas – E de onde o senhor tirou esse seu sotaque com os NH elevados ao cubo? Ou seria cubinhnhnhnhnhnho?
Pará – Prefiro o meu sotaque do que a sua culinária…Onde já se viu, meu filho, servir vatapá com maionese?
Amazonas – Eu aprendi isso com meus amigos nordestinos…E o senhor não tem mais nada a ver com a minha vida! Eu pago minhas contas e meus impostos – e pago melhor que o senhor!
Pará – Filho ingrato…

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Com esse tremendo abacaxi em casa, o Amazonas resolveu humilhar publicamente seu pai, pra ver se ele ia embora. Quando viu que a cada vez que o Pai ia e voltava, trazia mais um batelão cheio de imigrantes, desistiu e acabou colocando um colchãoziNHo debaixo da pia da coziNHa.

Afinal de contas, o pai cozinha bem pra caramba!

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A história do Amazonas com o Pará não é exatamente pacífica assim…Mas como eu tenho laços afetivos com o Pará, eu amaciei um pouco a coisa.

Esse texto fluiu tão gostoso que eu acho que vai virar peça de teatro!

segunda-feira, 6 / setembro / 2004 at 1:05 am 3 comentários


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Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. Gibran Khalil Gibran