Archive for agosto, 2004

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Deus

É moda entre os blogueiros famosos e inteligentes ter uma relação “diferenciada” com Deus.

*Eu odeio Deus!
*Eu tenho um conceito próprio de Deus!
*Deus não existe!

Eu sou bem simples nessa área. Sou espírita. Constatei que Deus existe. Tenho fé. Me entrego à Sua Proteção, e já tive a oportunidade de senti-lO ou de sentir algo muito bom que certamente partiu dEle.

O que me incomoda é ver gente por aí com medo de Deus, fazendo tempestade numa pincha cheia de água. Como se Deus fosse um velho babão e mesquinho, que nos obriga a ir pro céu, ou então aponta o dedo e manda a gente pro Inferno sem passagem de volta a um real pela Gol.

*********

Gente, alguém que teve a idéia de fazer a rosa não pode fazer o Inferno…qualé?

Vocês já pararam pra prestar atenção na beleza de uma rosa? Nenhuma tinta pode igualar sua cor, nenhuma cirugia plástica se aproxima da perfeição de suas formas, suas pétalas parecem de veludo!

Um homem nunca conseguiu fazer uma igual.

Deus fez. Deus fez a rosa, o átomo, a galáxia, a Gravidade, os buracos negros, o Tempo, a eletronegatividade, e minha alma também. Deus fez a vida, a matéria, e sabe lá mais o quê, que a gente ainda não consegue enxergar ou imaginar ou perceber.

Se Deus se dedicou a fazer tudo isso, e ainda toma conta para que os elétrons não façam besteira e fiquem por aí fugindo da eletrosfera sem permissão, e mantém a Terra girando na trajetória dela ao redor do Sol, e providencia toda uma logística pra manter essa coisa chamada Universo em perfeito funcionamento, eu me pergunto : o cara vai fazer alguma coisa pra simplesmente jogar fora depois? O cara, que é Inteligente, e Bom, e Perfeito até dizer chega, vai dar pra trás em algo que ele tenha feito?

Então, um cara que já sabe de tudo o que vai acontecer e já aconteceu e está acontecendo, pode ter o trabalho de criar uma alma, – sei lá se dá trabalho, mas deve ter algum motivo legal pra isso, sacou? – criar uma alma como a minha, já sabendo que “IH, essa Menina-Prodígio não vai dar certo, vai direto pro Inferno quando morrer…Peninha, mas toca pra diante! ”

Gente, EU faço isso com os meus poemas que ficam horrorosos – amasso, jogo no lixo e lamento.
Mas Deus é melhor que eu, né? Ele é ONIPOTENTE, ONIPRESENTE, ONISCIENTE E ONIetcétera. Não entra na minha cabeça que ele crie algo sabendo que depois vai ser perdido pra sempre no Inferno. Pra sempre – eternidade- começa mas não tem fim – ei, a eternidade é tempo pra caramba.

E é essa minha visão – Deus é um cara, ou algo, ou alguém, tão gente fina, tão B.O.M., que nos fez pra aprendermos a ser felizes. A VIDA é cheia de Alegria, Amor, Luz, Felicidade,Plenitude, Paz… e se a gente sofre, se descabela, é porque ainda não aprendemos isso.

É só abrir os olhos e ver que o amor está por aí, em toda parte. É só ver a Vida agindo e entender seus mecanismos. É só deixar o coração livre pra cantar a alegria.

*****************

É só ser mais parecida com a rosa. Estando num vaso, ou no chão, ou escondida no meio da floresta, continua cumprindo sua função de ser perfumada, do jeito que Deus quis.

***

Alguém pode me dar uma rosa?

sábado, 28 / agosto / 2004 at 12:57 am Deixe um comentário

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Someday we’ll know why Sanson loves Dalila
Someday I’ll go dancing on the moon
Someday you’ll know that I was the one for you

New Radicals, Somedat we’ll know

Linda linda linda, ou serão esses meus ouvidos?

Pode parecer que eu estou triste, mas eu canto essa música com um sorriso sonhador nos lábios…

Estou, de novo, vendo a beleza do por do sol
Estou, de novo, desejando BOM DIA pros cobradores as sete da noite
Estou, de novo, dançando ao caminhar.

*********************

Andei lembrando de umas coisas…

No terceiro ano do ensino médio, eu estava conversando com a minhas melhores amigas. Uma de nós estava passando por problemas com o namorado (ele gosta de mim, eu não gosto mais dele, o que eu faço? ) e eu dei minha opinião no assunto.

Eu- Olha, eu não entendo quando me contam esses lances de gente que faz loucuras por paixão, que sofre, chora, se descabela… Eu nunca senti isso, ó.

Amiga Pequena – Ué, e o teu namorado? (O daquela época)

Eu- Eu amo meu namorado! (E amava mesmo) Mas esse amor não foi incendiário, nem à primeira vista. Eu DESENVOLVI um sentimento, eu TRABALHEI em cima dele, eu me acostumei a gostar.

Amiga Fina – Mas isso não é paixão.

Eu – Eu não acredito em paixão. Essa coisa louca, que tira o fôlego, que desnorteia, que faz a pessoa fazer loucuras… Nunca aconteceu comigo. E olha que eu não sou insensível, eu tenho sentimentos profundos.

Amiga Apaixonada – Eu acho que se não tiver paixão, não tem amor. Sem paixão eu me sinto morta em vida, parece que tô vivendo por costume.

Eu – Eu nunca me apaixonei, e tenho alegria de viver pra dar e vender, maninha. Não sinto falta disso, eu nunca senti isso, isso de sacudir de alto a baixo nunca aconteceu comigo.

Amiga sábia – (Com um tom de Pitonisa do Oráculo de Delfos) Mas um dia vai se apaixonar.

[Silêncio]

Eu – Deixa o meu namorado te ouvir falando isso!

[Risos]

*****************************

E eu venho a público declarar algo:

Ela estava certa.

Eu, que sempre fui a senhorita sentimentos amenos e miss racionalidade, estou arriada dos quatro pneus. Estou apaixonada. APAIXONADA. A.P.A.I.X.O.N.A.D.A. Aconteceu o que eu disse que nunca ia acontecer.
Me sinto completa apenas com minha paixão. Meu coração está preenchido pela contemplação de uma foto e a expectativa da chegada do próximo e-mail.
Eu, que disse que nunca ia me apaixonar, achei o cara que mexeu comigo dos pés a cabeça. Me sacudiu de alto a baixo.
Eu já estava planejando uma maneira de enrolar a faculdade e conseguir uma passagem para Belém, sob o pretexto de participar de um congresso…Eu, que sou quem grita mais alto contra o desvio e mau uso de verbas públicas!
Eu, que passaria de bom grado minha vida inteira bem grudadinha na minha cidade, já estava começando a planejar minha mudança de mala e cuia pra Belém. Até eu perceber o quão absurdo era o que eu tava pensando.
Eu, que sempre fazia um longo contrato verbal antes de entrar num relacionamento, fui a primeira a dizer: “vamos deixar como está e depois a gente conversa.”

Eu que antes era uma, agora sou outra, mais parecida comigo mesma.
Eu saí de dentro de mim, e agora me exponho.
Saí da crisálida, e me descobri borboleta.
Mais terna, mais bela, mais adequada, mais leve, mais diáfana, mais tudo, mais nada.

***************
Não leia a seção abaixo se vc não tem cara de artista

Eu sei que você está lendo. Só não sei se está entendendo.
Eu estou contente. Eu nunca me apaixonei antes. E estou plena somente com a existência da minha paixão. Eu estou apaixonada por você. E é isso.
Eu voltei a acreditar no que eu sempre acreditei – Amor, Vida, Alegria, Paz Harmonia, Luz. Eu já tinha me esquecido que o mundo na verdade é isso.
Eu voltei a acreditar nos meus sonhos. Durante um tempo, quase me convenceram que eles eram bobos.
Eu não exijo nada de você. Eu sei que a gente é igual.
Eu estou apaixonada por você.

*********************

Pronto, acho que agora dá pra encerrar com Thiago de Melo, o melhor amazonense do mundo.

“Fica decretado que a maior dor sempre foi e sempre será
não poder dar-se amor a quem se ama.”
Os estatutos do homem

Bem… felicidades a todos…
A propósito: eu sou a única pessoa do mundo que se apaixonou pela primeira vez aos 19 anos? Paixão é diferente de amor, fica bem claro isso.

Tem algo claro aqui?

Você aí, menino e menina, garoto e garota que está lendo: como foi que vc descobriu que estava apaixonado?? Não precisa ser a primeira vez…

domingo, 22 / agosto / 2004 at 10:34 pm Deixe um comentário

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Aventuras em Cuiabá (Parte 3)

Segundo dia em Cuiabá

Seis horas da tarde, acabou o GT. Eu saio da sala junto dos meus amigos paraenses e recebo a notícia de que ia haver reunião da executiva nacional (da qual eu sou obrigada a fazer parte, pois o meu coleguinha amazonense faz questão de passar o cargo pra mim.)
Me despeço do meu paraense dizendo que a reunião é “coisa rápida”, e a gente ainda poderia se encontrar pra dançar forró no alojamento do pessoal do Ceará (não há forró como o cearense, não há).

*********

Tem início a reunião. Muitas inutilidades sendo discutidas, poucas ações concretas, “vamos trabalhar durante esse ano pra que no Encontro do ano que vem a gente vote isso, etc etc etc…”
Em suma, o que foi decidido é que vamos decidir no ano que vem. Só que essa decisão me prendeu dentro da UFMT até as DEZ E MEIA DA NOITE!

***********

Menina-prodígio saindo da sala de reunião

-Ah, não acredito que saí lá de dentro. Nossa, que vento frio!
-É, a friagem ainda não passou..
-Brrrr, eu quero um lugar quentinho!

**********

O meu coleguinha se mandou pro alojamento dele, e todos nós ficamos preocupados, pois andar de ônibus numa cidade desconhecida sempre é perigoso. Os ônibus em Cuiabá terminam às onze da noite, e já eram dez pras onze.
Fiquei eu, a Moça de Belém e a Moça de Brasília.
Moça de Brasília – Ei, onde é que vocês tão alojadas?
Moça de Belém – No Tijucal…
Moça de Brasília – Olha, eu tô lá também! Como é que eu não vi vocês? Ah, já sei, é porque eu não dormi lá ontem! Olha, eu fui hoje de tarde daqui pra lá de táxi…
Eu e a Moça de Belém – Deus me livre, é muito caro!!!
Moça de Brasília – Deu vinte reais, gente, cinco reais pra cada um…A gente chama mais alguém que esteja lá também, e vamos os quatro de táxi. Vamos assistir esse show, a programação cultural tá tão legal…

******

Eu tava na frigideira, era pra fritar mesmo,né?

******
Moça de Brasília me apresentando pra galerinha de Brasília

-Pessoal , essa é a Menina-prodígio, de Manaus, ela vendeu cachorro quente pra chegar aqui!

Galerinha de Brasília-AEWWWWWWWW! ABRA-ÇO CO-LE-TI-VO! ABRA-ÇO CO-LE-TI-VO!

E todos me apertaram. Eu (que sou do teatro, e adoro essas coisas assim) me senti em casa!

Eu- Gente, eu acho que adoro vocês!

Galerinha de Brasília – Mas você tem que ser batizada!

Eu- Batizada?

(todos fizeram um círculo ao meu redor)

Galerinha de Brasília (gritando muito alto) – No meio da floresta,
tinha uma coruja,
de dia ela dormia
de noite ela fazia:
TCHU-TCHU!
TCHU-TCHU!
TCHU-TCHU,TCHU-TCHU,TCHU-TCHU!
***
Eu no meio da roda, estava estupefata: nunca me ocorreu que aquilo fosse acontecer comigo, coitadinha, a caboquinha que saiu de Manaus pra Cuiabá, descobriu que Manaus é maior que Cuiabá, descobriu que reuniões de universitários são tão inúteis quanto todas as outras, no meio de uma roda cantando uma música LISÉRGICA!
Eu- Gente, o que é isso?
Menino dos olhos lindos – Isso é a saudação oficial de Brasília.Ou melhor, da UNB.
Menino Matemático – E você faz o quê?
Eu- Administração.
Menino Biólogo – Eu sou de Biologia. Onde você tá alojada?
Eu- No Tijucal, junto com vocês…Ué, vocês não me viram dançando brega ontem? De vestido vermelho?
Menino Matemático – Não…Eu vi o pessoal do Pará dançando brega, mas não vi você. Ei, pessoal, onze horas, vamos andando pro ônibus? A gente tá pegando carona no ônibus do pessoal de Valfenda…
Eu – Quê?
Menino dos olhos lindos – É Alfenas! Os mineirim… O nosso ônibus foi embora, e a gente não sabe onde ele tá. Estamos sempre andando junto do pessoal de Valfenda.
******
Do lado de fora do ônibus de Alfenas
Menino matemático- Não entendo, o pessoal de Alfenas sempre diz pra gente chegar aqui às onze, e ele só chegam meia-noite…A gente fica esperando…
Eu – Vocês é que estão certos…Quem precisa de carona, tem que estar à disposição. Na hora que o caroneiro quer ir embora, a gente vai junto.
Menino-dos olhos lindos – Porque você não para de se sacudir?
Eu- Porque tá muito frio…Vocês têm noção de que onde eu moro faz 35 graus todo dia? Eu nem sabia que existia temparatura menos que vinte graus, e só trouxe esse pseudo-casaco…
Menino-dos-olhos lindos – Pega esse aqui.
***
E ele me emprestou o casaco mais gostoso que eu já vesti! Nossa mãe, era todo forrado por dentro, e eu me senti como se eu estivesse no colo da minha mãe de novo.
Eu- Nossa, parece um colo de mãe. Nossa, que saudade da minha mãe. Vou telefonar pra ela pra dizer que eu ainda tô na faculdade.
Menino Biólogo – Ué, sua mãe veio também?
Eu- não, tá lá em Manaus, mas eu gosto de deixar ela sempre por dentro.
Menino-dos-olhos-lindos – O pessoal do Norte é muito ligado nesses valores de família, cara. Sabe, dão menos importância pra esse lance de dinheiro, são mais sentimentais. São mais abertos. A gente do Sul é muito fechado.
Eu- Como é que você sabe?Já morou lá no Norte?
Menino-dos-olhos-lindos – Eu sou de Belém, morei lá até os quatorze anos.Depois fui morar em Brasília, mas sinto falta da comida…
Eu – Ah, a comida paraense é um show à parte! Muçuã, tracajá, maniçoba, tacacá… Nossa, bacuri, açaí!
Menino Biólogo – Nossa, que língua é essa que tu falou agora?
Todo mundo riu.
*********
E nada do pessoal de Valfenda, ops, Alfenas. Depois de trinta minutos de culinária paraense, vinte minutos de violência urbana, o papo sempre vai descambando pra conversa maionese, será que esse é o meu destino?
Menino Matemático – Eu queria descobrir a sequência dos números primos. E ganhar um milhão de dólares.
Eu- Já descobriram. Foram uns indianos. Mas ainda tem pra você a conjectura de Poincaré! (lê-se POINCARRÍ)…
Menino Biólogo – Que é isso?
Eu – É um prêmio que é oferecido pra quem desvendar os maiores mistérios da matemática. O dos números primos, por exemplo. Qual a ordem dos números primos? 1,3,5,7,11,13,17, etc etc etc. Não tem a menor lógica, e eles vão se espalhando aleatoriamente ad infinitum. Um dos mistérios eram ver se alguém conseguia calcular uma fórmula para localizar qualquer Primo. Sabe a fórmula da P.A.? Uma parecida. E foi solucionado, os caras ganharam um milhão de dólares.
Menino Biólogo – E a conjuntura do pangaré?
Menino Matemático – Conjectura de Poincaré. O Poincaré disse, uma vez, que qualquer objeto complexo poderia ser reduzido a formas geométricas planas, por meio de um método de redução.
Eu- Por exemplo, um taco de beisebol poderia ser reduzido até se descobrir que ele era formado de círculos, retângulos, triângulos… Concorda comigo?
Menino-dos-olhos-lindos – Concordo. Faz sentido, mas deram um milhão de dólares pra isso?
Eu- Não, ué. O desafio era criar um método. Uma equação que permitisse calcular isso rapidamente – já pensou nas aplicações industriais?
Menino Matemático – O que eu me pergunto é como uma menina tão inteligente foi fazer Administração. É difícil de acreditar.
Menino Biólogo – Nem parece que ela faz Administração, falando de Matemática, de História…
Menino-dos-olhos-lindos – Você gosta do seu curso?
Eu- Adoro, adoro estudar Administração, adoro a perspectiva de trabalho…mas o que eu quero mesmo é ser atriz. Pena que pra ser atriz hoje em dia é quase indispensável ser bonita, coisa que eu não sou. Por falar em bonita, hoje no meu GT tinha uma moça de Blumenau que era tão linda, tão linda…Ela parecia uma bonequinha, olhos verdes, loira, rosada, corpo na medida, toda linda. Quando eu vi ela entrando na sala, eu me perguntei: Nossa, pra que eu nasci se existe uma mulher tão bonita no mundo? Eu não devia ter nascido!
Menino-Biólogo – Eu duvido que ela saiba falar sobre a conjectura de Poincaré!
Menino-dos-olhos-lindos- Ou que faça um interurbano só pra avisar pra mãe que tá tudo bem.
Menino-Matemático – E ainda saiba dançar brega. Viva a Menina-Prodígio, AEWWWWW!
Meninos- ABRAÇO CO-LE-TI-VO! ABRAÇO CO-LE-TI-VO!
*****
Eu me senti tão feliz, mas tão feliz, os meninos me deram uma massagem no ego tão boa, que quando eu cheguei no alojamento e encontrei o Menino-com-cara-de-Artista, ele até perguntou:
Menino-com-cara-de-Artista : Ué, a reunião da Executiva foi tão boa assim?
Eu – Que nada, foi uma droga. Como foi o forró do pessoal do Ceará?
Menino-com-cara-de-Artista – Nem fomos. Comemos por ali.
Eu- Tu sabia que um dos meninos de brasília é paraense? O Menino-dos-olhos-lindos.
Menino-com-cara-de-artista – Ah, é? Nem imaginava.
Eu – Eu vou tomar banho, já já volto.
***
Quando eu ia no caminho do banheiro, passei na porta do pessoal de Brasília:
-Oi, Menino-dos-olhos-lindos, o alojamento do Pará é aquele bem ali!Cumprimenta eles lá!
***
Tomei banho (Frigorífico!Brrrrrr, uma da manhã!). Quando vou saindo, escuto uma zorra. Quando estava indo pro quarto, só escuto aquilo:

” – E aí, pessoal de Brasília!
– E aí pessoal do Pará! Abraço CO-LE-TI-VO! ”

Eu entro e visto minha roupa na velocidade da Luz, pego a máquina fotográfica e saio pro corredor. Bem a tempo de ver o Menino-com-cara-de-Artista puxando um coro:
-MEGA TCHU-TCHU! MEGA TCHU-TCHU!
E todos os outros-paraenses, brasilienses, Alfenenses – entraram no mesmo grito e saíram puxando os outros do alojamento :
-MEGA TCHU-TCHU! MEGA TCHU-TCHU!
Mais umas três meninas pegaram a máquina fotográfica e saíram correndo atrás de mim (eu nunca ia perder uma dessas!).
***
Momento Bizarro, muito bizarro
Lembram do Menino X, que dormiu do meu lado na primeira noite e fez ZzZZZ? Quando o grupo de doidos passou do lado dele, ele tava jogando xadrez. Virou pra mim e perguntou:
-Quem é Tchu-tchu?
-?
-Eles tão correndo e gritando “Pega, tchu-tchu!”
Eu tive uma crise da minha risada (vide post anterior) e ele me olhou assustado…
***
Quando chegaram no centro do pátio da escola, fez-se um grande círculo, e aquele punhado de meninos de tudo que é canto do Brasil, com sotaques diferentes, com histórias diferentes, com interesses diferentes, se tornaram iguais ao começarem a cantar aquela música (?) alucinógena:
No meio da floresta,
tinha uma coruja
de dia ela dormia
de noite ela fazia:
TCHU-TCHU!
TCHU-TCHU!
TCHU-TCHU,TCHU-TCHU,TCHU-TCHU!
*****
Eu nunca ri tanto na minha vida. E o pior é que só é engraçado pra quem estava lá e viu, pois eu lendo agora o que escrevi não achei a menor graça! Droga.
Ah: a foto ficou podre. Claro,né?
******
Depois desse transe coletivo, a gente riu tanto juntos, assim, sem motivo, só por rir. E conversamos sobre os nossos sotaques, sobre nossos cursos, sobre nós. E quando deu três horas da manhã, todo mundo devagarzinho foi indo deitar.
Menino-com-cara-da-Artista : Mas me diz mais um vez, pra eu decorar! No meio da floresta…
Eu – Tinha uma coruja, de dia ela dormia, de noite ela fazia…
Menino-com-cara-de-Artista – Tchu-tchu! Tchu-tchu! Tchu-tchu,tchu-tchu,tchu-tchu! Ei… deixa eu ver esse sorriso lindo de novo!
Eu – Deve ser sorriso de sono… Eu saí de Manaus às duas da manhã de segunda, passei a segunda acordada, não dormi nada pois fui dançar brega e beijar um paraense aí, passei o dia de hoje acordada, e…
Menino-com-cara-da-Artista – (Maliciooooooso) Não vai dormir nada de novo…
Eu- Qualé? (Deitando) Quer acabar comigo?
Menino-com-cara-de-Artista – (Cheirando o meu pescoço) Meu Jesus, que perfume é esse que tu usas? Tu és muito cheirosa. Só vou te chamar de Cheirosa agora.
Pensamento : Sai dessa agora, Menina-Prodígio!
********
Muito bem, vamos ver o que se somava ao meu redor:
tava frio (brrrrrr,muito frio);
o dia tinha sido estressante, com direito a reunião inútil;
no outro dia já era o último dia do Encontro;
e eu nunca ia conseguir contabilizar quantas voltas o mundo deu pra eu sair de Manaus, ele sair de Belém, a gente ir parar em Cuiabá e se conhecer. E ficar no mesmo quarto. E ser tão parecido.
***********
A gente se abraçou. O quarto claro como um salão de baile, tinha um poste de iluminação exatamente do lado da janela. A mão dele na minha nuca.
Menino-com-cara-de-Artista – E aí?
Menina-prodígio – E aí o quê?
Ele segurou a minha mão.
Menino-com-cara-de-Artista – Vou sentir saudade de ti. Do teu cheiro, da tua risada, da tua conversa. Adorei Cuiabá-quarenta-graus.
Menina-prodígio – Eu TE adorei. Artista?
Menino-com-cara-de-Artista- Oi, Cheirosa. Fala.
A minha mão no ombro dele.
Menina-prodígio – Me dá um beijo?
************
Tem coisas que são tão especiais que você tenta proteger. Tem coisas das quais você sente pudor, um pudor puro, como o da criança que esconde as mãos sujas de chocolate.
Desculpa, pessoal, mas o meu pudor só me permite dizer que eu adormeci contente. E acordei contente no outro dia.
E, se vocês me dão licença, eu vou bem ali lavar as mãos e volto depois, com um post que seja menos nostálgico.
******
Saudade é uma coisa que dói.

quinta-feira, 12 / agosto / 2004 at 11:42 pm 1 comentário

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Aventuras em Cuiabá (Parte 2)

Segundo dia em Cuiabá

E depois do agradável despertar relatado alguns posts atrás, com um frio de dez graus em Cuiabá e um sorriso encantador no colchonete vizinho, começou meu segundo dia em Cuiabá.

Eu já disse que nós estávamos alojados em um colégio público, dormindo nas salas de aula. Pois bem, nenhum colégio público tem chuveiros suficientes para cento e cinqüenta pessoas, e eu compreendo a necessidade das instalações hidráulicas improvisadas.

Mas imaginem: dez graus de temperatura, uma cidade desconhecida, você entra em um banheiro de colégio público, lê todas aquelas coisas nada românticas escritas nas portas, e percebe que o chuveiro está exatamente acima da privada. Foi muito, muito estranho – e a água estava glacial.

O Menino-com-cara-da-Artista era tão fofo que pegou dois pães no café da manhã – um pra mim, um pra ele. E conversou comigo enquanto eu penteava o meu cabelo selvagem. E conversou comigo enquanto eu me vestia. E eu estava sentada no chão, arrumando a minha bagunça infindável, quando ele se inclinou e me deu um beijo de cabeça pra baixo.

Eu – Como assim, Homem-Aranha?
Menino-com-cara-de-Artista – O que você quiser.

E saiu do “quarto”… Eu estava contente, mas de repente senti o calor, as orelhas queimando e o rosto vermelho, e foi quando eu notei que o “quarto” estava cheio de gente, e todos eram da Universidade dele!
Fiquei meio envergonhada, mas era tão bom ser “assumida em público” ! Quatro carinhas com quem eu tinha ficado tinham namorada, e sempre eu que tinha de me esconder dos outros.

***********
Momento Pulga trás da orelha
Pera aí, e quem me garante que ele não tem namorada?

***********
O alojamento onde a gente ficou era muuuuuuuito, muito longe da Universidade Federal do Mato Grosso, doravante UFMT.
Os grupos que estavam lá tinham viajado de ônibus, fretado pela Universidade de cada um. E eles usavam o mesmo ônibus pra se deslocar pela cidade.
E a coitada da Menina-Prodígio, que tinha ido de avião? Tive de me virar pra conseguir carona. O pessoal do Pará era a opção natural – eu estava dormindo no mesmo “quarto” que eles, nós éramos do Norte e não temíamos a morte, e também, obviamente, tinha o Menino-com-cara-de-Artista.

***********
No ônibus

O papo rolava tão fácil, tão gostoso… O problema era a pulga pulando atrás da minha orelha.

-Menino-com-cara-de-Artista…
– Fala, Menina-Prodígio.
-(respirando fundo pra criar coragem e perguntar) Eu tenho uma pergunta pra te fazer…
-(Meio preocupado) O que foi? Tem algo errado?
-(Natural, como quem pergunta as horas) Tu tem namorada?
-(Natural, como quem diz as horas) Tenho.

*silêncio*

Pensamento: Tudo bem, agora são cinco caras com namorada. Será que é o meu destino?

-E os caras da faculdade não conhecem a tua namorada?
-Só quem conhece é o pessoal do meu curso.
-Tu não tem medo que eles contem pra ela da Amazonense em Cuiabá?
-Não, porque assim que eu chegar em Belém, EU vou contar pra ela.
-(Choque) Vai?

Pensamento : E se eu não quiser que ela saiba?

Ele – Que foi, não quer que eu conte?
Eu – (Disfarçando o choque) Imagina, tu tem mais é que ser sincero. Tão raro, isso.
Ele – Quando ela soube que eu ia viajar, falou pra mim : “Olha, eu sei que tu não és santo, vai ter um monte de menina lá…Eu só quero que tu me conte tudo o que tu fizeres.”
Eu – Ela disse isso?
Ele – Disse…
Eu – “Como eu sei que tu não és santo…”

E eu achei tão bizarro, a própria namorada dizer isso pro cara, que eu tive uma crise da minha risada.
E quem me conhece sabe que a minha risada é uma coisa, no mínimo, GRANDE. Alta. Torácica. Chamativa. Livre. E principalmente, mas principalmente mesmo, sincera. Muita gente se assusta quando eu rio, e me critica. Ah, mas eu sou tão feliz rindo alto! Eu sou tão EU MESMA rindo alto!

*
Ah… (suspiro) e ele riu junto comigo. Livre, solto. LINDO, ah, e como.
*

– Quer dizer que[ha,ha,ha,ha] você não é santo?
– [ha,ha,ha,ha] Foi ela quem disse!

Concordo com Isaac Asimov, quando disse, em um de seus contos, que alguém deveria erguer um monumento pro sujeito que inventou o beijo. Concordo P.L.E.N.A.M.E.N.T.E.

*********************

Grupo de trabalho = GT = Já que não podemos juntar oitocentas pessoas ao redor de uma mesa, vamos dividir em grupos menores pra vocês se sentirem à vontade e debater bastante.
Coordenadora do GT – Alguém quer ser o relator?
*silêncio*
Coordenadora – O relator vai tomar nota de tudo o que for dito, para se fazer um resumo depois…
Eu – Posso ser eu? Eu escrevo rápido…
Coordenadora – E qual o seu nome?
Eu – Menina-Prodígio, Administração, Amazonas…
Coordenadora – Amazonas, hum! Demorou muito pra chegar aqui?
Eu – Nove horas de avião!

Reação do grupo : Nossa, avião! Rica, hein?

Eu- A Universidade não ajudou em nada. O meu grupo teve de vender até cachorro-quente pra comprar essa passagem.

Reação do grupo : Nossa, que ralação!

****************
Na hora do almoço, eu me perdi do “meu” paraense. Mas, como não nasci grudada com ninguém, fui almoçar no restaurante Universitário de lá, participei da Reunião dos representantes da Executiva, sentei do lado de uma moça que faz Direito na USP, e constatei que ela existia – gente, ela existia!
Quando eu voltei pra minha sala do GT, depois do almoço, o Menino-com-cara-de-Artista me olhou e sorriu (Ai, meu Deus, ele sorriu, e o meu coração ficou ali naquele sorriso).

– Ei, Menina-Prodígio, eu te procurei pra almoçar, mas tu sumiste…Senti saudade.
-(Pensando apenas) Por favor, não seja tão perfeito assim… (Falando alto) Por favor, não seja tão perfeito assim…

Pensamento: eu falei isso alto?

– Perfeito, eu? Se tu convivesses comigo mais quatro dias, ias me detestar, eu sou tão chato…
– Olha só, além de ser do teatro, ser inteligente, gostar de Chico Buarque e tocar violão, ainda é modesto, viu?

O dia todo passou assim, de GT em GT. O Menino-com-cara-de-Artista estava ao meu lado no Grupo de trabalho. E o mais engraçado é que a gente não ficava o tempo todo naquele grude, ou naquele climinha clichê. Eu sou um espírito muito livre, e –Oh, meu Deus – acho que ele também gosta dessa independência.

****************
Esse post já tá muito grande. Fiquem com as cenas do próximo capítulo:

*Tem início a reunião interminável da Executiva. Mas não tem fim previsto!
*O pessoal de Brasília é gente fina. E olha só, no meio do pessoal de Brasília tem um paraense!
*A segunda noite em Cuiabá também é fria… Mas isso depende da sua fonte de calor!

Aguardem por novidades!

P.S.: Eu agora tenho dezenove anos! Nem doeu ficar mais velha!

segunda-feira, 9 / agosto / 2004 at 4:42 pm Deixe um comentário

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Quase em dia com o mundo

******************
Visitar cinquenta blogs que eu amo mas nunca mais pude visitar;
Telefonar pra uma amiga que eu amo, mas nunca mais vi;
Comer chocolate, que eu amo, mas não tinha dinheiro pra comprar;
Planejar sair pra dançar,coisa que eu amo, mas nunca mais pude fazer;
Dormir até meio dia, AH!
Falar no telefone com gente legal durante horas…

*******************

Quem disse que a felicidade não existe?

*******************

Falando nisso, vou contar uma historinha. Sem juízos de valor, só uma historinha.

***

Eu moro em um condomínio. No meu condomínio, as pessoas costumeiramente não pagam a taxa de condomínio, o que resulta em paredes sujas. Como o Feng-shui já comprovou (pseudo) cientificamente, a cor-de-limo é a mais negativa de todas, e atrai kilobytes de energia negativa para os moradores.

Em suma, fez-se um arraial aqui no condomínio para arrecadar dinheiro e pintar o condomínio. E, como toda boa festa junina tipicamente amazonense, aconteceu em JULHO.

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Eu tinha acabado de chegar da agência de turismo, onde eu NÃO tinha comprado minha passagem pra Cuiabá, e estava realmente morrendo de medo de não conseguir vaga em nenhum vôo. E também estava com o estresse acumulado, pois TODO o dinheiro que seria usado para comprar a passagem estava na minha bolsa- em notas de um real. Eram mais de mil reais. Estava tudo enrolado como um charuto, dentro da caixa dos meus óculos.

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Não, eu não acho isso racional.
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Chegando no condomínio, vejo as bandeirinhas coloridas, o palco, o aquecimento das bandas (aquecimento de bateria é a pior coisa do universo, tá-tá-tá-tum, tá tá tá tum), e penso: hoje ninguém dorme aqui…

De repente, quem eu vejo, muito serelepe no meio das barracas de comida? Mamãe-prodígio, com o seu braço engessado.

EU -Mãe, o que tu estás fazendo aqui?
Mamãe-prodígio – Ajudando, ué…
EU – Com o tu pode ajudar com o braço engessado?
Mamãe-prodígio – Dando palpite, opinião, conselhos… Comprou a passagem?
EU- Não, não tinha reserva.
Mamãe-prodígio – Então vai pra casa agora mesmo e deixa esse dinheiro guardado! Depois toma um banho, passa um batom e vem pra cá, que a festa vai ser divertida!
EU – Mas mãe, eu não gosto de…
Mamãe-prodígio – Eu sei que tu não gosta, mas não tem nada de comer em casa, nem leite. A gente vai ter que lanchar aqui mesmo.
EU – ….

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Eu juro que adoro a minha mãe. Juro mesmo, sem ironia alguma. Mas eu realmente detesto quando ela decide as coisas por mim.

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Menina-prodígio contando pela centésima vez o dinheiro da passagem

EU (SOZINHA NA MESA DA COZINHA, COM O CABELO PRESO POR UM LÁPIS) – 200,201,202… Droga, errei de novo!

Menina-prodígio contando pela centésima primeira vez o dinheiro da passagem

EU (SOZINHA NA MESA DA COZINHA,COM GOTAS DE SUOR ESCORRENDO PELA TESTA) – 322,323,324,325…Ai, que calor, meu Deus…326,327,328,329,330. (Levanto de ligo o ventilador) 340, 341, DROGA, TÁ VOANDO TUDO PELA CASA! Mas que bela %$#@##* !!!!!

Menina-prodígio contando pela centésima segunda vez o dinheiro da passagem

EU (SOZINHA na mesa da cozinha, amaldiçoando quem inventou a nota de um real) – 497,498,499,500. Prender o montinho com elástico, muito bem. Dois montinhos de quinhentos reais. Ué, cadê o resto do dinheiro? Devia ter mil e duzentos e dois aqui!

Menina-prodígio correndo desesperada pela casa procurando os duzentos e dois reais desaparecidos

EU (QUASE CHORANDO) – Onde pode estar? O VENTILADOR!

Menina-prodígio rastejando debaixo da cama e encontrando duas notas de um real
Menina-prodígio revirando sua bolsa e não encontrando os outros duzentos
Menina-prodígio à beira do colapso nervoso

EU- Meu Deus, onde podem estar duas notas de 100 reais?

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Aí eu lembrei que, quando a moça responsável pelo dinheiro me entregou tudo, eu vi as duas notas de 100, e brinquei com ela:

EU – OLha, que bonitinho, adorei esse peixinho! (O peixe que está desenhado atrás da nota de 100).
ELA – Bem que eu queria ter um aquário cheio deles…
EU – Eu amo a natureza, preservem os peixes!

E lembrei que eu enfiei as duas notas dentro do sutiã !!!(Eram suas da tarde, vocês não imaginam, o que o calor faz com uma pessoa.) Mas eu já tinha tirado a roupa que eu usei na rua, e o sutiã estava…

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Menina-prodígio correndo para o tanque de roupa e sacudindo o sutiã

Menina-prodígio encontrando duas notas de 100 reais escondidas no espaçinho existente entre a renda e a espuma do sutiã

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Menina-prodígio contando o dinheiro pela centésima terceira vez

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Menina-prodígio tomando banho e penteando o cabelo simultaneamente

Menina-prodígio escolhendo o vestido menos usado do armário

Menina-prodígio indo para o arraial do condomínio

APRESENTADOR – Então, quem dá vinte reais? A senhora , muito bem, quem dá mais? Vinte e um, temos vinte e um, aquele cavalheiro deu vinte e um, apenas vinte e um? Alguém dá mais?

EU – (PENSANDO ALTO) Um leilão! Que interessante, normalmente nesse arraiais de bairro brega o ponto alto da festa é o bingo de um quarto de boi, uma grade de cerveja, ou um frango assado!

Apresentador – Trinta reais, dona Isoldina, muito bem! Trinta e um reais, seu Adamastor, muito bem, muito bem, vamos ajudar o condomínio a ficar mais bonito, para que os visitantes que cheguem aqui apreciem, não é mesmo? Dona Isoldina, trinta e dois! Seu Adamastor, trinta e CINCO! Nossa, muito bem, nosso leilão disputadíssimo!

EU – (PENSANDO ALTO) Disputadíssimo por duas pessoas…
Menino que também estuda na Universidade – Uma delas é a minha mãe.
EU – (PENSANDO APENAS) Meus pêsames… (FALANDO ALTO) Ah é? Ela é bastante… competitiva!
Menino que também estuda na Universidade – Resolveu sair da toca, hein?
EU – (PENSANDO APENAS) E o que você tem a ver com isso? (FALANDO ALTO) E o que você quer dizer com isso?
Menino-que também-estuda-na-Universidade – Você nunca sai de casa…Sua mãe às vezes ainda vai na missa da nossa capela, ou fica sentada conversando em frente à piscina…Eu vejo você mais na Universidade do que no condomínio.
EU – (PENSANDO APENAS) É que eu gosto mais de lá do que do condomínio, intrometido. (FALANDO ALTO) É que eu gosto mais de lá do que do condomínio…Lá eu tenho meus livros, meus trabalhos, pessoas que pensam parecido comigo…
Menino-que-também-estuda-na-universidade – Acho que entendi. OLha, acho que minha mãe vai ganhar o leilão!

Apresentador – Dona Isoldina, trinta e oito! Parabéns! Alguém dá mais? Alguém dá mais? Seu Adamastor, Trinta e oito reais e cinquenta! Muito bem! Alguém dá mais?

EU – Sua mãe merece ganhar, viu? Pelo que eu sei, foi ela quem organizou todo o arraial!
Filho-da-Isoldina – Também acho, mas acho que ela está se excedendo…Tô ficando preocupado.
EU – Por quê? Vamos torcer por ela! (GRITANDO E PULANDO) Uh! É Isoldina! Uh! É Isoldina! Uh! É Isoldina!

E quando eu vi, já tinham mais ou menos uns sete jovens do condomínio gritando junto comigo e torcendo pela Isoldina! Nunca tinha percebido esse meu lado Hitler…

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Apresentador – Quarenta reais, minha gente, quarenta reais! Dona Isoldina, uma líder aqui na organização dessa festa, parabéns dona Isoldina! Alguém dá mais? (Seu Adamastor faz um sinal de rendição) Então, vendido para a Dona Isoldina!

EU E MINHA PEQUENA MULTIDÃO – ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!

Então houve festa e todos se regozijaram. Eu cumprimentei o Filho-da-Isoldina:

EU- Olha só, sua mãe levou a melhor…
Filho da Isoldina – Sei lá, acho que ela passou dos limites…
Eu – Ah, pensa no prêmio!

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Apresentador – Então, Dona Isoldina subindo ao palanque para receber seu prêmio, um frango assado na brasa doado pela Dona Fulaninha! Parabéns, a senhora vai comer esse delicioso frango com toda a sua famíliano almoço de amanhã, e ainda vai sobrar pro jantar! Isso é que é um frangão, hein?

(Esta fala do apresentador está aqui transcrita exatamente como foi dita)

Eu- Nossa! Tchau, Filho da Isoldina, olha minha mãe ali!

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Oh, sim, eu moro em um bairro brega, muito brega demais…

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E essa foi a história do meu primeiro leilão de frango assado.

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quarta-feira, 4 / agosto / 2004 at 4:47 pm Deixe um comentário

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Ainda em Cuiabá

Me disseram que eu devia me esforçar pra ser mais profissional, já que fiquei mocinha e tô na faculdade. Vamos tentar.

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O Encontro Nacional é um evento político. Significa que os participantes vão lá pra discutirem, discutirem e discutirem assuntos importantes pro programa. Mas como explicar isso pra quem não faz parte do programa?

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Tá, a Educação Tutorial envolve alunos trabalhando sob a tutela de um professor doutor. A princípio os alunos recebem bolsa pra se dedicarem exclusivamente a melhorar o curso de graduação – promovendo palestras, pesquisas, extensão, etc etc etc.

Só que : a)Nos grupos tem gente bolsista e gente não-bolsista. b) A bolsa não sai pontualmente. C) Os integrantes do grupo vivem com medo que o Ministro da Educação acorde com o ovo virado e resolva dizer que Nós(tutelados) somos uns feios e bobocas, e resolva exterminar o programa.

Ficou entendida a função do Encontro Nacional?

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E nós tivemos um debate maravilhoso.Aliás, diversos. Sobre um montão de temas, que dizem respeito à atuação de nossos grupos na estrutura educacional do país.

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Mas a intenção desse blog nunca foi ser sério, e eu termino esse post dizendo que é muito mais divertido falar do meu coração ou dos meus sonhos ou das minhas viagens do que de coisa séria.

Pra isso eu tenho meus relatórios mensais a preencher.

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P.S.: O Menino com cara de artista anda rondando meus pensamentos frequentemente…Mas pra quê eu falo disso na internet, meu Deus?

P.P.S.: Eu devia ser mais útil, não?

P.P.P.S.: No próximo post eu conto o resto da viagem a Cuiabá. Tentei fazer um post sério, mas me descobri em meio a um enorme desprazer. Talvez seja melhor eu ter coragem de ser um pouco mais parecida comigo– só pra variar.

domingo, 1 / agosto / 2004 at 12:57 am Deixe um comentário


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Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. Gibran Khalil Gibran