Leituras que fiz durante as férias – O Fantasma da Ópera
Segunda-feira, 23 / Abril / 2007
E estava lá, vendido a um real. O Fantasma da Ópera. O filme que eu adorei, o musical que eu sonho ver no teatro um dia. O Fantasma da Ópera.
Comprei, LÓGICO. Empolgadíssima.
Bem, li o livro todo em três dias. Três cansativos dias. Três longos dias. O livro me deu dor de cabeça, e eu já disse aqui que livros que dão dor de cabeça não merecem perdão.
Tá. O livro não é ruim. Antes de mais nada, a edição que comprei é mal-cuidada. Durante a leitura, aparecem repetições de frases ou parágrafos inteiros. Sabe aquele tipo de coisa que irrita a ponto de aquele tipo de coisa que irrita a ponto de causar ranger de dentes? Pois é. Exatamente assim. Erros de grafia. Tradução péssima. Em doses generosas.Uma vergonha. Até aí, a culpa não é do Gaston Leroux.
O livro me pareceu bastante familiar às leituras que fiz de “A Moreninha” , “A Viuvinha”, “O Guarani”. Tem toda uma carinha de folhetim. A primeira cena, que descreve uma bailarina ouvindo os relatos amedrontados de um monte de menininhas do corpo de baile: “As meninas corriam como ratinhos, os pezinhos batendo no chão. Ratinhos calçados de cor-de-rosa.” Ou algo assim. Um excesso de descrições que, arre, só tendo muita paciência. “A cortina era de veludo vermelho matizado com brocados rebordados e ia de cima a baixo e…”
Primeiro caso que vejo em que o FILME é melhor que o livro. Se bem que eu não assisti ao filme que FOI baseado no livro, assisti ao filme mais moderno.
No livro, o Fantasma é muito mais louco, muito mais perigoso, muito mais inteligente e MUITO mais feio. Mas o plot é o mesmo. Cantora lírica ingênua acredita que escuta o Anjo da Música, mas na verdade esse anjo é um homem muito feio e traumatizado, que mora nos subterrâneos de um teatro e de vez em quando é visto por alguém. Esse homem fica obcecado e ameaça matar qualquer um que se meta no caminho. E um dos que se metem é o Visconde Raoul de Chagny, que era amiguinho de infância da cantora e se descobriu apaixonado. Idiotamente apaixonado, no caso do livro. O Raoul é um mauricinho babaca mimado e romântico. Ai, quando eu penso que no filme ele é todo-príncipe, com cavalo branco, capa e espada. Que decepção.
Tem muitas outras coisas que no livro são diferentes. No livro, a Christine é sueca, loira [LOIRA! LOIRA! Pra mim foi um choque!] e a relação dela com o pai fica bem mais explicada. Eles eram pobres e ele tocava violino nas aldeias da Europa e ela cantava.Aliás, a Christine é solitária, isolada e não mora no teatro coisa nenhuma. A Pequena Meg era uma criancinha, MORENA [MORENA!], e não era nem um pouco amiga da Christine. A Madame Giry era uma ANTA, burra, proletária, mal-vestida e crédula. No filme ela é tão chique… *suspiro* No livro, o Fantasma também foi atração de circo e escravo dos ciganos; mas depois morou na Pérsia e foi contratado por um sultão, como músico, ventríloquo, engenheiro, arquiteto, torturador [sim!], cantor e gênio de modo geral. Mas sempre saía escorraçado, por ser uma criatura intragável – pedante, mandão, manipulador e doido.
No livro fica bem clara a ciumeira que Carlota tinha de Christine, a ponto de convocar uma massa de fãs para aplaudi-la ruidosamente. E todos os truques do fantasma são explicados com minúcia de detalhes. Minúcias EXAUSTIVAS. “Do outro lado do espelho há um conjunto em aço e ferro, de uma mola, ajustado de tal maneira que, puxando-se a mola e o contrapeso pela parte de dentro, o espelho gira 360 graus e volta à sua posição original.” Arreeeeee! Pior do que isso, só “O cortiço”.
Detestei o livro, mas acho que esse meu detestar pode ter sido causado pela extrema beleza do filme e do musical. Afinal, o livro é só um folhetim bobo, com momentos de comédia tola e pastelão. Mas o plot é infalível. Ciúme, loucura, amor, mentiras. Universal, universal.
Fiquei com curiosidade de ler outra edição do livro, mais bem-cuidada, uma tradução mais bem-feita, e ver se eu teria outra opinião.
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1.
Claudia Lyra | Segunda-feira, 23 / Abril / 2007 at 6:05 pm
Ai Deus… a culpa deve ser da tradução. Quer dizer, não li esse livro, mas é que todo mundo fala tão bem dele! E eu bem gosto de detalhes, sabe. O Cortiço, por exemplo, é um livro que eu amo justamente pelos relatos bem detalhados…
2.
poetamatematico | Segunda-feira, 23 / Abril / 2007 at 6:58 pm
rsrsrs
Eu amei o filme…
Mas, bem, obrigado, nunca lerei o livro…
hehehehe
Ah, tb gostei de Em Busca de um Novo Rei.
3.
Izabelle | Terça-feira, 24 / Abril / 2007 at 2:00 pm
Bom primeiramente parabéns!

seus posts são excelentes
e acabei por ler todos, pois descobri infinitas afinidades, e gostos semelhantes!
Amo leitura, e DEVOOORO os livros
ja anotei uns 3.4 indicados pro você!
bem, espero que possamos conversar sobre nossas afinidades e quem sabe também nossas coisas incomuns !
tudo de bom!
Boa semana e se cuida :*
desde já agradeço. Izabelle!
4.
Cily | Terça-feira, 24 / Abril / 2007 at 2:01 pm
Foi bem traumático, né? rsrs
Não quero mais ler esse…
Bjo!
5.
Wagner | Terça-feira, 24 / Abril / 2007 at 5:13 pm
Pena a edição mal-cuidada, mas, pelo que você narrou, creio que nem uma edição caprichada a faria gostar do livro. Principalmente por que as imagens do filme já estavam por demais impregnadas no seu pensamento. Inevitável criar uma grande expectativa.
Entendo perfeitamente o que você fala sobre o excesso de detalhes e descrições (pois também não me agradam quando são gratuitas), mas é preciso levar em conta — sempre! — a época em que os romances foram escritos. Dependendo disso, havia todo um “código de normas” a ser seguido em questões estilísticas que os autores não podiam desprezar sob pena de não serem aceitos pelas editoras. Havia também a “moda” da época em termos literários. Ou seja, livros “antigos” fatalmente soarão exagerados em alguns aspectos para muitos leitores de hoje. Em todo caso, curiosamente, você foi até o fim do livro: você é daquelas que não interrompe a leitura por pior que seja o texto até chegar ao final? Eu já fui assim, mas cansei disso.
Obrigado pela visita e comentário no meu blog.
6.
Menina G. | Terça-feira, 24 / Abril / 2007 at 8:38 pm
Eu gostei do filme, sem exageros,simplesmente gostei, mas me deu vontade de ler o livro. Normalmente os livros são infinitamente melhores que os filmes deles feitos, mas sempre há um “ou não”.
7.
Adriana | Quarta-feira, 25 / Abril / 2007 at 6:12 am
Eu vi o filme…gostei…e vi o musical…amei….emocionante….o livro comprei mas nao consegui ler…me pareceu cansativo….pois depois de ver o musical….qualquer coisa menos do que aquilo nao valeria a pena…
Um abraço carinhoso do outro lado do oceano
Adriana
8.
Marília | Quarta-feira, 25 / Abril / 2007 at 7:59 pm
Puxa vida… como vc lê!!! Passei um tempo atarefada sem pisar aqui, e tem dez mil posts, todos sobre livros!!
Gostaria de retomar tal hábito!
Beijão!
9.
Beea | Quinta-feira, 26 / Abril / 2007 at 9:48 am
Eu vi a peça… é apaixonante…
tenho o dvd tb… mas se tiver oportunidade, veja e se apaixone pela peça teatral vc tb xD
hááá, na peça que eu assisti, a atriz era meia loirinha sim! rs
10.
neutron | Sexta-Feira, 27 / Abril / 2007 at 10:07 am
Eu já vi um pedaço do filme, mas hm, não fez muito meu estilo, hehehe…
Tava dando uma sapeada nos seus outros posts… e lembrei do “Diário de Serafina”! Eu li esse livro na 4ª série… e coleção Vagalume também. Fico até com dó quando vejo esses livros “encalhados” nas prateleiras de bibliotecas… =/
11.
Policarpe | Domingo, 29 / Abril / 2007 at 2:50 am
Pow eu ainda não assisti esse filme e nem mesmo li o livro. Tb adoro livros que valorizam aqueles detalhes que são esquecidos pela maioria…Os livros do Machado são muito assim.
beijos
12.
Selena | Quarta-feira, 2 / Maio / 2007 at 3:03 pm
O que me atraiu para o filme foram a músicas (lindissimas) vi o filme no Natal e é pouco dizer que adorei, vi-o já várias vezes e acabei por decorar as músicas. O livro, já o li (lio todo numa tarde) comple e ajuda na compreençao do filme.
Só acho pena, tanto no filme como no livro que a Christine não tenha acabado com o fantasma (cujo nome é Erik).
Aconselho-vos e se sao adolescentes apaixonados, não o veijam em familia, é um pouco enebriante demais
13.
Selena | Quinta-feira, 3 / Maio / 2007 at 12:34 pm
Se fores pela versão do filme acho que o final dá pena pois o Visconde parece um bocado apatetado (esta é a minha opinião), mas no livro…. no livro o final encaixa-se.
Não sei se já ouviu as músicas do musical original, estas quando comparadas com as do filme, é horrivel. Talvez o que falte ao livro seja isso mesmo, música.
14.
Selena | Sexta-Feira, 4 / Maio / 2007 at 10:42 am
São sim, mas depois de se ouvir e ver o filme o músical perde um bocado a qualidade (na internet com um pouco de pesquisa encontram-se excertos dessas musicas e no DVD do filme tambem), acho que o musical está a actuar agora no Brasil, não me lembro de ter actuado cá em Portugal, mas também aquilo já tem muitos anos.
Os actores parecem não combinar com a história principalmente a que faz de Christine, pois no filme ela parece muito mais jovem e ingenua. Talvez isso lhes tire um bocado a creabilidade.
15.
arya | Sexta-Feira, 4 / Maio / 2007 at 11:22 am
Não conhecia o filme, mas uma amiga minha falou-me dele e fiquei curiosa. Ela convidou-me para o ver e este superou as minhas expectativas. É um filme muito bom, tem uma história empolgante até ao último segundo. As músicas são muito bonitas, e dão vida ao filme. Tenho o CD e gosto de ouvi-las em qualquer altura. Tenho de dar os parabéns ao realizador, porque os cenários, os actores, a história enfim tudo soa magníficos. Ainda não li o livro mas tenciono faze-lo. Beijos e vejam o filme é o máximo.
16.
Selena | Sexta-Feira, 4 / Maio / 2007 at 11:29 am
Parece que a minha colega, a Arya também veio ao vosso site. De certo modo fui eu que lhe passei a mania do filme. Parece que isto se pega!
17.
arya | Sexta-Feira, 11 / Maio / 2007 at 12:37 pm
Segui o teu conselho e pedi à minha mãe para me comprar o livro do fantasma da ópera. Bem a minha melhor amiga (Selena) passa o intervalo todo a cantar as vezes é mesmo chata, mas eu por incrivel que pareça “adoro” aquela rapariga, já não passo sem ela. Foi ela que me despertou o gosto pela leitura e que me mostrou o filme. Ainda não li o livro mas disseram-me que era quase tão bom como o filme, é verdade?
Bem tens um optimo site, continua com o bom trabalho, beijos e bom fim de semana.
18.
arya | Sexta-Feira, 11 / Maio / 2007 at 12:45 pm
Nunca viste o musical? A minhã mãe ja me falou dele, mas acho que nunca veio a Portugal. Mas foi ao Brazil nao conseguiste ir assistir?
Beijos
19.
arya | Sábado, 12 / Maio / 2007 at 9:47 am
Quanto ao livro acho que tens razão, quando o ler eu digo se gostei ou não. Beijos
20.
Santiago | Domingo, 23 / Setembro / 2007 at 4:36 pm
Realmente o livro tem muitas explicações. Mas por minha parte eu o adorei. Acho melhor que oi filme. Se bem que o filme de 2004 teve muitas passagens que não tem nada a ver com o musical da Broadway. Mas assista o filme de 1926, com Lon Chaney. Esse faz muito juz ao livro. E assista também o filme de 1990, com Charles Dance, Teri Polo, e Burt Lacaster, um filme imprecionantemente bonito.
21.
Wilian | Quarta-feira, 20 / Fevereiro / 2008 at 6:32 pm
É claro que me surpreendi com seus comentários acerca do livro. Tentei analisar qual versão você adquiriu mas não vi essa informação. Contudo, gostaria de resaltar a sua própria frase, onde diz que cada um tem um gosto. É preciso respeitar, lógico. Respeito, discordando, pois, tendo em vista que certamente você não conhece o contexto da história, as produções (tentativas, eu diria) fracassadas sobre o tema original, culminando com um filme superproduzido onde o ”dono” Webber injetou dinheiro do próprio bolso (já que ninguem queria fazê-lo).
Do meu ponto de vista, em oito anos de conhecimento do tema, The Phantom of the Opera, nos diversos filmes que assiti, livros que lí, e sites que produzi, afirmo e comigo trago lembrança dos amigos fãs do tema, que as duas últimas produções literárias que circularam em português no Brasil são fiés a obra de Leroux, inclusive no que diz respeito ao excesso de detalhes, o que os tornam muito muito muito apreciados entre nós, fãs do Fantasma da Ópera.
Quanto ao filme, que você diz ter gostado, achamos que muitos detalhes foram suprimidos, e por esse motivo (adivinhe!!!) não gostamos taaanto do filme quanto do livro!!!!
Então, se consegui ser claro, é tudo questão de ponto de vista (ou gosto, como você diz).
Abração, e sucesso no blog.
22.
Márcia Regina | Sábado, 31 / Maio / 2008 at 6:32 pm
Eu sou apaixonada pelo filme o Fantasma da Ópera,já assisti em preto e branco-novela a caçada ao Fantasma… Sempre quando passa eu assisto ao filme é simplismente maravilhoso……