Archive for Dezembro, 2005

Inconformismo

Quando te vejo de novo
é tão bom
é tão raro
é tão natural
que eu não consigo ficar só vendo.

****

Quando eu vou além da visão
e te beijo de novo
é tão humano
é tão simples
é tão verdade
que eu quero mais do que o beijo.

****

Quando o beijo é mais que encontro de bocas
Eu tento te tocar com o corpo todo
E vem a urgência de se livrar da roupa
E é tão singular
Tão harmonioso
Tão delicado
Que eu fico querendo mais que o corpo.

******

Quando o meu corpo se esqueceu onde terminava
E algo de mim se misturou contigo
Naquela cachoeira de sentimentos bonitos
Foi tão intenso
Tão reciproco
Tão tocante
Tão cheio de amor…
E vi que quero viver ao teu lado, pele, mente, alma, sem nunca me satisfazer.

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Minha tradição de fim de ano

Olha, eu já passei Natal e Reveillon longe da minha mãe. Já passei Natal sem acender vela ou rezar para o Menino Jesus. Já passei reveillon de preto, Natal de chinelo.

Mas eunão consigo me lembrar de passar nenhuma destas festas sem comer a MAIONESE DE MACARRÃO PARAFUSO DA MAMÃE! Nham, nham, nham…

Ingredientes:
500 gr de Macarrão Parafuso
03 maçãs verdes
01 limão
300 gr de presunto(não fatiado)
300 gr de queijo prato(não fatiado)
250 gr de passas (sem semente ajuuuuuda)
Maionese pra dar a liga

Modo de preparo:

Descasque as maçãs e pique. Esprema o suco do limão sobre elas, para que não escureçam. Reserve.
Pique o presunto e o queijo em cubinhos. Reserve.
Cozinhe o macarrão al dente.
Misture a maçã, o presunto, o queijo e as passas. Acrescente o macarrão.
Vá colocando maionese às colheradas e misturando, até você ver que tudo está lubrificado, mas ainda com aquele atrito necessário para o prazer, se é que você me entende. Bem, tente não deixar tudo lambuzado em excesso, se é que você me entende. Se bem que eu gosto de maionese…ops, não me entenda mal.
Ponha na geladeira e só tire de lá na hora da ceia.
Coma e me conte.

P.S.: Ainda tem na minha geladeira, mas amanhã acaba. No Ano Novo tem mais, alguém se habilita?
P.S.: Aqui em casa, com nossa mania de simplicidade, não tem mais nada além disso e suco de goiaba. Cá pra nós: no nosso clima, quem precisa de nozes, peru, figo e pêssego? Eu passo MUITO BEM com a maionese… e sinto saudade dela o resto do ano…

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Porque eu não consigo me divertir com o Orkut

aviso: este é um post irritado, mas eu estou tranquila.

*Por que os espaços pra escrever são pequenos.

*Por que dá um trabalho danado responder todos os scraps. Tem que clicar no perfil da pessoa, clicar na página de recados, escrever a resposta, apertar o botão e ver que deu donut e tentar escrever de novo, perder a paciência e acabar escrevendo algo do tipo “você é legal, até mais.”

*Aí, a pessoa volta no seu livro de recados e pergunta: “O que você quis dizer?” Claro que eu não lembro, tenho que olhar tudo de novo, página por página, e ler o que escrevi, o que a pessoa escreveu, e acabo ficando perdida. PORRA CARALHO, quer conversar comigo, me adiciona no msn, mas aquele orkut é o fim da picada.

*Eu escrevo no livro de recados de Fulano. Aí, o Fulano, ao invés de responder no livro DELE, responde no meu. Aí, eu tenho que abrir duas janelas e ficar comparando os horários e datas pra entender. Não, não não. Isso não bom, não bom.

* Porque tudo lá é público. Todo mundo lê tudo. Urgh, urgh, não faço a menor questão de que todo mundo leia meu diálogo sobre a diarréia que tive por causa do panetone…..

*Porque tem casais sem noção que assumem atitudes patéticas em público. Aí, você abre o scrapbook do cidadão e vê a cidadã que faz par com ele com vááááááááááááários recados em sequência, que, obviamente, não fazem o menor sentidos se lidos em sequência: “Esquece” “Também acho” “foi legal” “você gostou?” “Comi pouquinho”"Fala assim comigo não”"Vem mesmo, chuchu, te gosto tanto *hihihi*”.

*Aí, você, curiosa e idiota, vai ler os recados da cidadã e encontra a sequência correspondente, escrita por ele: “Você esteve doente? Como foi isso?” “Mas eu fiquei preocupado, devia estar do seu ladinho pra te cuidar” (SIC) “Como foi a estréia do vibrador verde-limão?” “Antes de te dar, eu enfiei ele no cu” “Gostei, mas ardeu um pouco. Se divertiu na pizzaria?” “De burra que você é, quando é rodízio tem que comer que nem uma porca neurótica” “Ah, é brinkdeira, môzão, da próxima vez vou junto com você”.

*Aí você não sabe se sente pena do seu amigo, raiva de si mesma por ir fuçar os recados panacas dele e da indivídua, ou desgosto pela superficialidade daquilo tudo. Caramba, porque eles não se trancam dentro de um motel e PARAM de frequentar a internet?

*Aí, desgostosa por ler tanta coisa estúpida, você vai ler as comunidades, tentando encontrar algo, qualquer coisa, que rompa aquela superficialidade e prove que algo ali é humano e transmite calor. E, nas discussões, aquela chuva de clichês, joguinhos do tipo “quem enfia o dedo em quem”, grandes debates sobre a situação do Brasil com argumentos do tipo “O lula é um f.dp. kkkkkkk” “O FHC come cocô, e é isso aí” “Legal é morar na China, huhuhuhuhuu”.

*Numa última tentativa, você abre a sua lista de amigos. E, então, vendo aquelas fotos, você sente um calorzinho bom, e é quase como se todos estivessem num porta-retrato da sua cabeceira, e você desiste do Orkuticídio mais uma vez.

*Mas jura que NUNCA vai trocar scraps melosos com seu namorado. Só um testimonial carinhoso e pronto.

1 comment Domingo, 25 / Dezembro / 2005

Ampulheta

Cada grão de areia que desce é um segundo. Um segundo a mais desde adespedida. Um segundo a menos para o reencontro. Os grãos descem, atristeza aumenta e diminui. Onde você está?

A areia acaba, eu viro novamente a ampulheta e o tempo volta a correr.Cada grão de areia que desce é um segundo cheio de saudade e solidão.Ponho a ampulheta na horizontal, tentando fazer o tempo parar. Percebo quenão adianta, pois a falta que sinto de você continua aumentando, mesmo sema queda dos grãos. Tempo. Segundos. Meses.

Espatifo o vidro e a areia colorida se espalha no ar e no chão. A sua ausência se dissolve no vento de chuva, e então já não há mais segundos ou areias, saudades ou tristezas, pois você está presente em sua própria ausência. E eu sinto ao meu redor, como algo tangível, um pedaço áspero desonho, ou um sabor adocicado de realidade, a falta que você faz.

E me sinto diferente dos outros, alguém que se destaca na multidão, uma rainha adornada com um bela coroa de ouro e espinhos. E eu sorrio,consciente de que a saudade que sinto me torna parecida comigo.

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De volta

Cheguei em casa.

Estou cansada.

Estou triste.

Estou com saudade.

Blogo depois.

Beijo a todos.

Add comment Domingo, 18 / Dezembro / 2005

Viagem

Daqui a duas horas, embarco pra Belém.

Estou muito feliz.

Talvez eu apareça, mas é MUITO provável que não.

Lembranças a todos.

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Medos

Eu tenho medo de não ser nada além de uma incompetente que finge que trabalha muito bem.

Eu tenho medo do bicho debaixo da cama. (até hoje.)

Eu tenho medo de não conseguir crescer profissionalmente, por ser incompetente.

Eu tenho medo de ter filhos. Eu tenho medo de ter filhos e ser um fracasso como mãe.

Eu tenho medo quando vejo que dezembro já está na metade e o ano que vem se aproxima.

Eu tenho medo de andar em ruas desertas.

Eu tenho medo de bêbados. De mendigos. De mendigos bêbados, então…

Eu tenho pavor de mendigos bêbados que ficam em ruas desertas.

Eu tenho medo de chuvas com vento forte.

Eu tenho medo de agir de maneira anti-ética.

Eu tenho medo de ser assaltada de novo.

Eu tenho medo de lugares com muita gente.

Eu tenho medo de ficar sem roupa em público. (Todo mundo tem um sonho recorrente, né? O meu é esse.)

Eu tenho medo de seguir as idéias erradas, votar nos candidatos errados, defender os pontos de vista errados.

Eu tenho medo de abelha, escorpião, cobra, baratas voadoras (brrrr!), embuá, anestesia. De ficar com o rosto deformado. De caminhões de gás.

Eu tenho um medo muito grande mesmo do ano que vem. Das coisas que eu tenho de decidir ano que vem. Das atitudes que eu preciso ter ano que vem.

Eu tenho medo de não ser importante.

Add comment Segunda-feira, 12 / Dezembro / 2005

Reencontro

Saí de casa, verifiquei se todas as portas e janelas estavam trancadas, o botijão de gás fechado, as luzes apagadas. Guardei a chave no bolso e caminhei pelas ruas inclinadas, pensando em quanto tempo eu passei sem falar comigo.
Andava com saudade de mim, isso era verdade. Apesar da vontade de perguntar para mim como eu ia, o que eu estava fazendo de bom, tive receio – da última vez que me encontrei, tive uma briga feia comigo, saí chorando e tentei esquecer o número de meu telefone. Não consegui: sempre que alguém perguntava,eu ainda sabia meu número de cor. Apesar de não admitir, eu sou uma das pessoas mais importantes na minha vida…
Enquanto caminhava, me perguntava como reagiria se falasse comigo mais uma vez. Afinal, o tempo passa, ficamos mais maduros, e se aquela conversa que causou lágrimas se repetisse hoje, provavelmente eu compreenderia melhor meus argumentos e não choraria com raiva de mim mesma.
Cheguei ao parque de diversões. Havia marcado um encontro comigo, mas ainda faltavam vinte minutos, e eu nunca fui muito pontual. Podia esperar.
Olho pra todos os lados, sem saber bem o que fazer. “Onde tem um lugar onde eu possa ficar esperando sem que ninguém perceba que eu estou esperando?” (Nada pior que ficar parecendo um açucareiro, os braços na cintura e o olhar perdido.)
Decido ficar perto do carrossel: os olhos podem ficar seguindo os movimentos das crianças e seus pais, e ninguém lá vai perder tempo prestando atenção em mim, com tantos cavalinhos coloridos por perto.
É interessante observar como a criança consegue se fascinar com pouco. As luzes, uma música melodicamente pobre (parecia um som MIDI, céus, caixinhas de música são as avós dos MIDI´s), o movimento circular. E todas riem muito, acenam para os pais, num êxtase ingênuo, tão bonitinho.
O carrossel pára, papais e mamães recolhem seus filhotinhos, e mais uma leva de crianças ocupa os lugares. Todas sorridentes, claro. Uma delas sorri e acena pra mim, eu sorrio e aceno de volta, porque ela me faz lembrar de um tempo em que eu usava laços no cabelo e me divertia com luzes coloridas e caixinhas de música. Hoje em dia é mais caro e difícil me divertir, mas eu continuo tentando.
Mais uma vez a viagem sem ponto de chegada do carrossel recomeça, e eu sigo com os olhos aquela que acenou pra mim. Ela às vezes finge que não percebe que estou ali, às vezes me encara fixamente, como quem quer dizer algo, e eu começo a ficar incomodada com aquele joguinho.
Quando ela chega no ponto mais próximo a mim, é que eu percebo: eu ainda uso laços no cabelo, e posso me divertir com caixinhas de música e luzinhas. Marquei um encontro comigo mesma e compareci a ele, pra mostrar a mim que o tempo passa, mas eu mudo muito pouco.
Todas as crianças descem de seus lugares, e, sem surpresa alguma, vejo que aquela que acenou pra mim não está mais lá. Sorrio e digo a mim mesma que talvez uma maçã do amor fosse bem-vinda, agora. Dou-me um abraço longo, e digo que não posso passar mais tanto tempo longe de mim.
Quando eu chegar em casa, vou procurar aquela caixinha de música. Será que tem como consertar?

Add comment Quarta-feira, 7 / Dezembro / 2005

Equação

internet bloqueada no trabalho + monitor queimado em casa = paralisação das atividades blogueiras….

Paralisação? Não, não necessariamente. Eu acredito em blogs… e nesses dias de ausência, falei muito sobre eles.

Em todo caso, foi um prazeiiiiirrrrr enoiiiirrrrrrme falar ao telefone com a Ana (pô, meu!), a Alê (Tô te sacando, meu!), o Trotta(ainda sem link…até quando, ó Deus, até quando?). Os três tem um sotaque que é um amoiiiiirrrrrrr, e eu gosto de saber que pessoas virtuais podem fazer coisas do tipo…falar ao telefone!

Aliás, existem pessoas virtuais? Toda identidade na internet não necessita de alguém que ligue o monitor e bata nas teclas, para formar algo? Até onde nós somos nós mesmos nesse mundo de luz, pixels, bits e mensagens de erro?

Até onde a Menina-Prodígio é isso que vocês estão lendo? Tem muita coisa da minha vida que só quem lê isso aqui sabe. Mas isso não torna os senhores íntimos de mim, não.

E, sometimes, eu me pergunto quão bom seria juntar todos vocês ao redor de uma mesa pra comer brigadeiro na panela (o meu é bom, viu?). E eu me pego pensando nas poucas pessoas que REALMENTE me conhecem por inteiro, e me dá vontade de chorar, enquanto pergunto a mim mesma “por quê”? Qual o motivo dessa facilidade de se reinterpretar, compartilhar de si mesma na internet, enquanto na “vida real” eu sou tão esquisita, melindrosa e egocêntrica?

Quando escrevo, sou eu mesma. Mas não a mesma.

Bem. Isso tudo é pra dizer que, quem quiser receber uma carta minha, pode enviar seu endereço para asaventurasdameninaprodigio[arroba]ig[ponto]com[ponto]br.

Blog é legal, mas eu preciso ir além. Preciso confirmar que tem gente que nem eu, que acredita nos outros, que segue o que sente, que vai na fé.

Add comment Quarta-feira, 7 / Dezembro / 2005


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